Exclusivo: “É muito complicado ter à frente da segurança pessoas que não conhecem a área”, diz coronel Vinícius ao comentar possível criação de ministério

Secretário de Segurança do Amazonas respondeu sobre o tema ao ser questionado durante apresentação do balanço da área em 2025

Durante a apresentação do balanço da segurança pública de 2025, nesta sexta-feira (9), o secretário de Segurança Pública do Amazonas, coronel Vinícius Almeida, comentou a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitar a saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para criar uma pasta específica voltada exclusivamente à Segurança Pública. O tema foi abordado após questionamento feito ao secretário durante a coletiva.

Na avaliação de Vinícius Almeida, a separação entre Justiça e Segurança Pública é uma discussão antiga entre gestores estaduais e pode contribuir para uma condução mais técnica do setor.

“Estamos esperando esse desdobramento de separação da Secretaria de Segurança para ter um ministério específico para o sistema de segurança. É muito complicado a gente ter à frente da pasta pessoas com boa vontade, mas que não conhecem a área”, afirmou.

Questionado sobre a gestão do agora ex-ministro, o secretário disse não identificar um legado expressivo do ponto de vista estratégico, mas destacou o trabalho técnico realizado pela equipe responsável pela área orçamentária.

“Penso que o ministro fez um trabalho que não vejo um grande legado. Porém, a equipe do ministro era espetacular. Eu destaco a doutora Camília Pintarelli, que conseguiu destravar o repasse fundo a fundo”, disse.

Segundo Vinícius Almeida, o avanço na liberação de recursos teve impacto direto nos investimentos feitos pelos estados.

“O Amazonas saiu de uma execução de pouco mais de 20 milhões de reais por ano para executar, no ano passado, mais de 200 milhões de reais. Isso foi fruto do trabalho técnico da equipe, que apoiou não apenas o Amazonas, mas o Brasil inteiro”, afirmou.

O secretário também destacou que a escolha de um eventual novo titular da área deve considerar o conhecimento das realidades regionais, especialmente da Amazônia, que apresenta custos operacionais mais elevados.

“A grande dificuldade que tivemos foi lidar com pessoas que não conhecem a nossa realidade. Já me perguntaram, por exemplo, quanto tempo se leva de carro de Manaus a Tabatinga. Isso mostra o distanciamento da realidade amazônica”, relatou.

De acordo com o secretário, estudos indicam que o custo do policiamento na região Norte é significativamente maior do que em outras partes do país.

“Enquanto em outros estados o custo para patrulhar 500 quilômetros gira em torno de 257 reais, no Amazonas esse valor ultrapassa 1.200 reais. No interior, nossas viaturas são lanchas, muitas vezes blindadas, o que eleva muito o custo operacional”, explicou.

Ao final, Vinícius Almeida afirmou que a eventual criação de um ministério específico pode contribuir para decisões mais alinhadas às particularidades dos estados, desde que a condução seja técnica.

“A expectativa é pelo desmembramento, mas, principalmente, que se coloque à frente da pasta alguém que verdadeiramente entenda de segurança pública. Isso faz diferença no planejamento e na execução das políticas”, concluiu.

 

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus