Exército incorpora primeiras mulheres como soldados em todo o país

Turma de 2026 reúne 50 mil jovens; 1.010 mulheres ingressam como recrutas em 38 organizações militares.
Foto: ST Sionir (Centro de Comunicação Social do Exército)

O Exército Brasileiro incorporou nesta segunda-feira (2) as primeiras mulheres como soldados do Serviço Militar Inicial. Em todo o país, cerca de 50 mil jovens de ambos os sexos ingressaram nas fileiras da Força Terrestre na turma de 2026. Desse total, 1.010 mulheres passaram a integrar 38 organizações militares.

No primeiro semestre de 2025, mais de 33 mil jovens se alistaram voluntariamente para o Serviço Militar Inicial Feminino. Após as etapas de apresentação geral e seleção complementar, as convocadas participaram da entrada simbólica nos quartéis. O ingresso ocorreu nas três Forças Armadas: Marinha, Exército e Aeronáutica.

Em Brasília, a cerimônia foi realizada no Comando Militar do Planalto (CMP). São 182 mulheres que realizarão a formação na Base de Administração e Apoio do CMP ao longo do ano de instrução, com possibilidade de permanência por até oito anos.

A formatura começou no Campo de Parada Marechal José Pessoa, com os recrutas ainda em trajes civis. Isabela Costa Ferreira e Kauã Veras da Silva abriram os portões do CMP para a passagem de 382 soldados do Efetivo Variável da turma de 2026. Em seguida, já uniformizados, os militares seguiram para o Pátio Rosa da Fonseca, na área interna do comando.

O comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, leu mensagem aos novos soldados e destacou a incorporação das mulheres.

“Esse marco amplia a participação feminina nas fileiras do Exército e reforça, ainda mais, a concepção de uma Instituição verdadeiramente integrada por brasileiros e brasileiras, todos irmanados no mesmo propósito de bem servir ao Brasil e de fazê-lo próspero, seguro e soberano. O pioneirismo desta incorporação certamente trará diversos benefícios à Força e representará um avanço e uma vitória para o Exército de Caxias”.

A solenidade em Brasília foi presidida pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, com a presença de autoridades civis e militares.

“É um dia histórico e uma vitória para as Forças Armadas. A cada ano, uma classe de jovens brasileiros atende ao chamado para servir ao País, como dever cívico e patriótico. A chegada das mulheres para servir como soldados é um marco na evolução da Defesa do Brasil. As mulheres já somam cerca de 10% dos efetivos militares em diferentes funções, incluindo a primeira oficial alçada ao generalato, Coronel Claudia, aqui presente. É um orgulho perceber a participação feminina voluntária agora como soldados”, afirmou.

Durante a cerimônia, o comandante do Exército destacou a presença de familiares e solicitou uma salva de palmas aos pais e responsáveis dos recrutas.

Relatos das recrutas

Entre as incorporadas está Amanda Zagatto Maia, moradora de Taguatinga, que completou 19 anos no dia da formatura. Ela afirmou que a presença da família na cerimônia marcou o momento.

A soldado Yasmin também participou da incorporação e citou a influência do pai e do avô, militares da reserva, na decisão de se alistar.

Adequações nas unidades

A incorporação das mulheres exigiu adaptações nas organizações militares, como a criação de alojamentos exclusivos e ajustes em instalações. Oficiais e sargentos femininas foram capacitadas para ministrar instruções às novas soldados.

Homens e mulheres terão os mesmos direitos e deveres. As atividades incluem exercícios no terreno, instruções de tiro e serviços de guarda. Após o primeiro ano, parte dos militares poderá renovar o vínculo por mais um ano, conforme desempenho e disponibilidade de vagas, com possibilidade de permanência na ativa por até oito anos.


Com informações da Agência Gov*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus