A “Expedição de Mapeamento de Riscos e Desastres no Médio Solimões” percorreu 50 comunidades ribeirinhas e indígenas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e ao longo do Rio Solimões, no Amazonas. A ação partiu de Tefé e passou pelos municípios de Uarini, Alvarães, Juruá e Fonte Boa.
Durante o percurso, a equipe ouviu mais de 500 moradores para identificar fenômenos naturais e eventos ambientais registrados na região, além de compreender como as populações têm se adaptado às transformações do território.
Os pesquisadores coletaram relatos sobre cheias e secas, terras caídas, formação de praias, quedas de árvores, alterações nas condições do solo e redução do pescado. Também foram registradas dificuldades de deslocamento, acesso à alimentação, disponibilidade de água potável e ocorrência de doenças.
Além das entrevistas com lideranças comunitárias e famílias, o grupo realizou registros fotográficos, utilizou drones para mapeamento e reconhecimento das áreas e recorreu a imagens de satélite para análise técnica das características geográficas e dos níveis de risco ambiental.
De acordo com Paula Silva, pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Geociências e Dinâmicas Ambientais da Amazônia, do Instituto Mamirauá, ouvir as comunidades é fundamental para aprofundar o diagnóstico.
“A ideia é ir além do diagnóstico técnico. Para isso, precisamos ouvir os relatos dos comunitários, a fim de compreender melhor como eles se adaptam e enfrentam esses eventos extremos”, afirmou.
Segundo ela, moradores mais antigos relataram mudanças perceptíveis ao longo dos anos.
“Alguns entrevistados falaram sobre o aumento do calor durante o verão e como as chuvas e corredeiras têm se tornado mais intensas”, acrescentou.
O tuxaua da Aldeia Laranjal, Paulo Miranha, destacou a importância da participação das comunidades no levantamento.
“Vejo essa pesquisa como uma oportunidade de falar sobre os desafios e problemas enfrentados aqui na aldeia. É ouvindo nossas vozes que será possível compreender melhor as dificuldades e as transformações que nossos territórios vêm passando”, disse.
Os dados coletados devem subsidiar políticas públicas voltadas à gestão de riscos e desastres, além de contribuir para ações relacionadas à agenda climática na região. A expedição foi realizada pelo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com financiamento da Gordon and Betty Moore Foundation e apoio da Florida International University e da Universidade do Estado do Amazonas, Polo Tefé.
Com Informações do Instituto Mamirauá
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






