Food service deve movimentar R$ 287 bilhões, mas logística ainda é desafio no AM

Setor cresce no Brasil, mas no estado depende de fornecedores locais para garantir abastecimento e estabilidade aos pequenos e médios negócios

Um dos segmentos que mais cresceram no Brasil nos últimos anos, o food service mantém perspectivas positivas para 2026 e deve movimentar cerca de R$ 287 bilhões em todo o país, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos. O setor reúne restaurantes, lanchonetes, bares, padarias, food trucks e operações de delivery. No Amazonas, porém, o avanço do mercado ainda esbarra em um desafio histórico: a logística.

A dependência dos modais fluvial e rodoviário, somada à sazonalidade dos rios e às longas distâncias, torna o abastecimento mais complexo e caro para os empreendedores locais. Nesse cenário, cresce a importância de fornecedores especializados e presentes no próprio estado, capazes de atender pequenos e médios negócios que não conseguem absorver os custos logísticos da região.

Para o especialista e consultor de food service do Grupo Queiroz, Jean Pontara, a proximidade com o fornecedor é um fator decisivo para a sustentabilidade das operações no Amazonas.

“A segurança do abastecimento é essencial para restaurantes, lanchonetes e quiosques. Ter um fornecedor local permite ajustes rápidos, resposta a picos de demanda e mais flexibilidade para lidar com imprevistos, algo fundamental para operações menores”, avalia.

Segundo o consultor, no Amazonas, o papel do fornecedor vai além da simples venda de produtos. É preciso compreender a realidade operacional dos clientes, marcada por limitações logísticas e pela sazonalidade.

“Destacar-se nesse mercado passa por entender o cardápio, a sazonalidade e as dificuldades da região. Não é só fornecer, mas orientar sobre substituições viáveis, ajustes de cardápio e soluções que realmente funcionem no dia a dia local”, afirma Pontara.

Ele destaca ainda que a pandemia acelerou mudanças estruturais no setor. O food service deixou de ser apenas um elo operacional da cadeia alimentar e passou a ocupar posição estratégica, impulsionado pelo crescimento do delivery e por consumidores mais exigentes.

“Hoje há uma cobrança maior por qualidade, padronização e consistência. O consumidor mudou, e o setor precisou se adaptar rapidamente”, observa.

De acordo com Pontara, o Grupo Queiroz tem investido no fortalecimento do food service no Amazonas, oferecendo estrutura, conhecimento técnico e soluções adaptadas à dinâmica regional. A proposta é apoiar pequenos e médios empreendedores, transformando o abastecimento em uma ferramenta de eficiência e crescimento.

“Quando o serviço especializado está dentro do estado, o abastecimento deixa de ser um problema recorrente e passa a ser um diferencial competitivo”, reforça.

Para o especialista, o futuro do food service na Amazônia está diretamente ligado à profissionalização da cadeia de suprimentos.

“No longo prazo, um abastecimento bem estruturado não representa custo adicional. É uma estratégia para fortalecer o ecossistema local de alimentação fora do lar e garantir crescimento sustentável”, conclui.

 

Com Informações da Três Comunicação e Marketing

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus