Gerson Mourão destaca criação do primeiro Centro de Diagnóstico do Câncer do Amazonas em entrevista à Jovem Pan News Manaus

Presidente da FCECON detalha avanços no diagnóstico precoce e ampliação do acesso a exames oncológicos durante participação no programa “De Olho na Cidade”.

O presidente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCECON), Gerson Mourão, participou do programa “De Olho na Cidade”, da Jovem Pan News Manaus, apresentado por Tatiana Sobreira e Jackson Nascimento. Na entrevista, ele falou sobre a inauguração do primeiro Centro de Diagnóstico do Câncer no estado e os impactos na rede pública de saúde.

Durante participação no programa “De Olho na Cidade”, da Jovem Pan News em Manaus, Gerson Mourão, que está à frente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCECON), abordou a implantação do primeiro Centro de Diagnóstico do Câncer no estado e as mudanças no fluxo de atendimento oncológico.

A iniciativa, segundo ele, busca ampliar o acesso da população a exames especializados e reduzir o tempo entre a suspeita da doença e o início do tratamento, com foco na detecção precoce e na reorganização da rede pública de saúde.

Durante a entrevista, Mourão explicou o funcionamento do sistema de saúde em níveis de complexidade e destacou gargalos existentes no fluxo de atendimento oncológico.

“O sistema de saúde é organizado por níveis de complexidade. A atenção básica é a porta de entrada: é nela que ocorre a triagem inicial. A média complexidade é responsável pelos exames diagnósticos, como as biópsias, enquanto a alta complexidade fica com o tratamento propriamente dito. Em teoria, esse fluxo deveria funcionar de forma integrada, mas, na prática, ele não funciona como deveria.”

O gestor também comparou o modelo brasileiro com sistemas de rastreamento adotados em países como Suécia, Holanda e Inglaterra, ressaltando a importância do diagnóstico rápido e do início oportuno do tratamento.

“Quando observamos países desenvolvidos, como Suécia, Holanda e Inglaterra, percebemos um modelo muito mais eficiente… No Brasil, essa redução ainda não aconteceu, principalmente pela dificuldade de acesso da população tanto aos exames quanto ao tratamento.”

Segundo ele, o novo centro surge como resposta a esse cenário e representa uma iniciativa inédita no país.

“A criação do centro diagnóstico surge justamente para enfrentar esse gargalo. Trata-se de uma iniciativa inédita no país.”

O presidente da FCECON também apresentou dados sobre avanços no atendimento oncológico no Amazonas, especialmente no câncer de mama e no câncer do colo do útero. Ele destacou a redução do tempo entre suspeita e início do tratamento, que passou de cerca de 14 meses para aproximadamente quatro meses, além do aumento no índice de cirurgias conservadoras.

“Hoje esse tempo foi reduzido para cerca de quatro meses… O índice de preservação das mamas saltou de 20% para 50%.”

No caso do câncer do colo do útero, Mourão citou a ampliação de procedimentos e atendimentos, que passaram de cerca de 500 para aproximadamente 3 mil por ano, além do aumento de cirurgias de pequeno porte.

A entrevista também abordou estratégias de prevenção, como vacinação contra HPV, rastreamento e novos métodos diagnósticos, incluindo a genotipagem, que pode ampliar o intervalo entre exames em casos de baixo risco.

O gestor destacou ainda a necessidade de reorganização da rede de atenção oncológica no estado, com fortalecimento da integração entre prevenção, diagnóstico e tratamento.

O Centro de Diagnóstico do Câncer, segundo ele, é resultado de articulação institucional e deve funcionar como referência para detecção precoce, com expectativa de implantação mais consolidada entre o final de 2026 e o início de 2027.

A proposta inclui ainda a realização de procedimentos ambulatoriais de menor complexidade, reduzindo internações e ampliando a eficiência do sistema de saúde.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.