A escalada do conflito no Oriente Médio provocou incerteza no mercado internacional de fertilizantes. Algumas empresas do setor retiraram suas tabelas de preço diante das dúvidas sobre possíveis impactos na oferta e na logística de insumos utilizados na agricultura.
A avaliação é do professor da FGV Agro, Felippe Serigati. Segundo ele, a região é responsável pelo fornecimento de produtos importantes para a produção de fertilizantes, como nitrogenados, fosfatados e cloreto de potássio, três dos quatro macronutrientes utilizados na agricultura.
Apesar da preocupação no mercado global, o especialista afirma que os efeitos no Brasil ainda são limitados.
De acordo com Serigati, o Brasil passa atualmente por um período de utilização de fertilizantes nas lavouras, e não de compra de insumos.
Por esse motivo, eventuais impactos de preços devem atingir primeiro países do Hemisfério Norte, onde ocorre outro calendário agrícola.
Entre eles estão os Estados Unidos, envolvidos no conflito com o Irã e cuja escalada passou a envolver outros países do Golfo Pérsico.
“O impacto do conflito ainda é muito precoce e limitado. O aumento dos preços das commodities, por enquanto, é administrável: o milho subiu 5% e a soja, 7% nos últimos 30 dias”, afirmou o professor.
Segundo ele, fatores como a valorização do real e os preços definidos no momento do plantio da safra atual também ajudam a reduzir impactos imediatos.
“Tudo ainda é muito prematuro, é preciso evitar alarmismos”, acrescentou.
Exportações para o Irã podem ter impacto pontual
O especialista também citou possíveis efeitos nas exportações agrícolas brasileiras.
Segundo Serigati, o Irã é responsável por cerca de 20% das importações de milho exportado pelo Brasil, o que pode gerar impacto caso o conflito afete o comércio.
“O Irã importa cerca de 20% do milho exportado pelo Brasil — aqui sim pode haver um impacto pontual relevante. Mas, caso a crise se prolongue, certamente outros mercados terão interesse em absorver um eventual redirecionamento dos embarques brasileiros”, afirmou.
Principais fornecedores de fertilizantes ao Brasil
Dados de 2025 indicam que o Brasil depende de diversos países para o fornecimento de fertilizantes utilizados na produção agrícola.
Entre os principais fornecedores estão:
- Rússia: 32,2% — cloreto de potássio (KCl), MAP e nitratos
- China: 26,1% — sulfato de amônio e fosfatos
- Canadá: 10,1% — cloreto de potássio
- Estados Unidos: 7,1% — fertilizantes diversos e fosfatos
- Marrocos: 6,4% — rochas fosfáticas e MAP
- Egito: 4,9% — nitrogenados e fosfatos
A participação do Irã nas importações brasileiras é considerada pequena, com menos de 2% das compras de nitrogenados.
Preços dos fertilizantes já registram variações
Mesmo com impacto ainda considerado limitado, alguns nutrientes usados na produção de fertilizantes registraram aumento recente de preços no mercado internacional.
Entre as principais variações estão:
- Ureia (nitrogênio): alta de cerca de 20%, influenciada pelo aumento do preço do gás natural e por riscos logísticos no Estreito de Ormuz
- Fósforo: aumento de aproximadamente 8% na última semana
- Potássio: sem aumento significativo até o momento
A evolução do conflito no Oriente Médio e possíveis restrições logísticas na região devem continuar sendo monitoradas pelo mercado agrícola global.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






