Haddad propõe transferir fiscalização de fundos de investimento para o Banco Central

Ministro da Fazenda afirma que hoje a atribuição da CVM deveria estar sob o BC e cita investigações recentes sobre uso de fundos em fraudes
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19), que apresentou ao governo uma proposta para que o Banco Central passe a fiscalizar os fundos de investimento no país. Atualmente, essa atribuição é da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Apresentei uma proposta, que está sendo discutida no âmbito do Executivo, para ampliar o perímetro regulatório do Banco Central. Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente”, disse Haddad, em entrevista ao programa UOL News.

Segundo o ministro, a mudança se justifica pela relação direta entre os fundos e o sistema financeiro, com possíveis reflexos nas contas públicas.

“Há uma intersecção muito grande entre os fundos e as finanças. Isso tem impacto até sobre a contabilidade pública, por exemplo. A conta remunerada, as compromissadas, tudo isso tem relação com a contabilidade pública”, afirmou.

Haddad disse ainda que esse modelo de supervisão concentrada já é adotado em outros países. “Eu entendo que seria, inclusive, uma resposta muito boa neste momento nós ampliarmos o poder de fiscalização sobre os fundos por parte do Banco Central porque aí fica num lugar só. Fica tudo sendo supervisionado e regulado num lugar só, que é mais ou menos o desenho dos bancos centrais do mundo desenvolvido.”

A proposta é apresentada em meio a investigações recentes que apontam o uso de fundos de investimento em esquemas de fraude. Um dos casos envolve o Banco Master e fundos administrados pela Reag Investimentos.

Na semana passada, o Banco Central anunciou a liquidação da Reag Investimentos, atualmente CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. A instituição é suspeita de administrar fundos fraudulentos ligados ao Banco Master. Segundo as investigações, o esquema funcionaria por meio de uma sequência de depósitos e retiradas entre fundos para ocultar o beneficiário final dos recursos. As apurações indicam que as fraudes podem ultrapassar R$ 11 bilhões.

Durante a entrevista, Haddad também fez elogios ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e disse não ter se arrependido de indicá-lo para o cargo.

“Ele [Galípolo] herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não aconteceu na gestão atual, o Galípolo descascou um abacaxi. E descascou o abacaxi com responsabilidade”, afirmou. “Ele herdou um grande abacaxi, mas, em minha opinião, ele está resolvendo isso com grande competência”, completou.

 

Com informações da Agência Brasil*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus