IBGE aponta freio nos serviços em dezembro, mas setor fecha 2025 em alta no Brasil

Pesquisa Mensal de Serviços mostra recuo no fim do ano, avanço acumulado de 2,8% e sinais de desaceleração da atividade no quarto trimestre

O volume de serviços no Brasil recuou 0,4% em dezembro de 2025 na comparação com novembro, interrompendo uma sequência de resultados positivos. Os dados são da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Apesar da queda no último mês do ano, o setor encerrou 2025 com crescimento acumulado de 2,8%, mantendo-se como um dos principais motores da economia brasileira.

Na comparação com dezembro de 2024, o volume de serviços avançou 3,4%, registrando o 21º resultado positivo consecutivo nessa base anual. Ainda assim, o desempenho mensal ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetavam estabilidade ou retração mais moderada, reforçando a leitura de perda de fôlego da atividade econômica no fim do ano.

De acordo com o IBGE, a queda em dezembro foi puxada principalmente pelo segmento de transportes, que recuou 3,1%, com impacto negativo também dos serviços auxiliares aos transportes e correios (-4,9%) e de outros serviços (-3,4%). O transporte de passageiros apresentou retração em todos os modais, contribuindo de forma relevante para o resultado mensal.

Na contramão, setores ligados ao consumo das famílias e à tecnologia mostraram maior resistência. Os serviços de informação e comunicação cresceram 1,7%, enquanto os serviços prestados às famílias avançaram 1,1%, impulsionados por atividades de lazer, entretenimento e maior circulação de renda no período de fim de ano.

Analistas avaliam que os dados reforçam o diagnóstico de desaceleração no quarto trimestre de 2025, com impacto direto nas projeções para o Produto Interno Bruto. A leitura predominante é de crescimento próximo de zero no período, embora o setor de serviços ainda tenha atuado como fator de sustentação da economia ao longo do ano.

Apesar do recuo no nível de atividade, o resultado é interpretado por economistas como um sinal de alívio para a inflação, abrindo espaço para o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros. A expectativa do mercado é de que o Banco Central comece a discutir cortes na Selic a partir de março, diante da combinação de desaceleração econômica e menor pressão de preços no setor de serviços.

Para 2026, as projeções indicam crescimento mais moderado, com consenso apontando avanço do PIB entre 1,7% e 2%, sustentado principalmente pelo mercado de trabalho e pela renda das famílias, ainda que o ritmo de expansão seja menor do que o observado em 2025.

 

Com Informações do Site InfoMoney

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus