Inflação fica em 0,70% em fevereiro, menor taxa para o mês desde 2020

Resultado do IPCA foi influenciado por reajustes em mensalidades escolares; índice acumula 3,81% em 12 meses, segundo o IBGE.

A inflação oficial do país ficou em 0,70% em fevereiro, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta quinta-feira (12), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa aumento em relação a janeiro, quando o índice foi de 0,33%.

Apesar da aceleração, a taxa é a menor para um mês de fevereiro desde 2020, quando o índice foi de 0,25%. Em fevereiro do ano passado, o IPCA havia registrado alta de 1,31%.

No acumulado de 2026, a inflação soma 1,03%. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior.

Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, o resultado foi influenciado principalmente pelos reajustes anuais em mensalidades escolares.

Em fevereiro do ano passado, no IPCA de 1,31% houve uma pressão do grupo habitação, em especial na energia elétrica, em função do fim do Bônus de Itaipu, o que não ocorreu no ano de 2026. Ainda na comparação com o ano anterior, Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,70% de fevereiro de 2025”, explicou o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves

Educação e transportes pressionam índice

O grupo Educação apresentou a maior variação do mês, com alta de 5,21% e impacto de 0,31 ponto percentual no IPCA. O reajuste ocorreu principalmente nos cursos regulares, que subiram 6,20% com o início do ano letivo.

Entre os subitens com maior aumento estão ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). O grupo respondeu sozinho por cerca de 44% do índice do mês.

O grupo Transportes registrou alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto percentual. O destaque foi o aumento de 11,40% nas passagens aéreas. Também tiveram alta o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóveis (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%).

Combustíveis e energia elétrica

Os combustíveis registraram queda média de 0,47% em fevereiro. Houve recuo na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%). Já o etanol subiu 0,55% e o óleo diesel aumentou 0,23%.

A energia elétrica residencial teve variação de 0,33%, com manutenção da bandeira tarifária verde.

O gás encanado apresentou queda de 1,60%, refletindo reduções tarifárias registradas no Rio de Janeiro e em Curitiba.

Alimentação

O grupo Alimentação e bebidas variou 0,26% em fevereiro, ante 0,23% em janeiro.

A alimentação no domicílio registrou alta de 0,23%, influenciada por aumentos no açaí (25,29%), feijão-carioca (11,73%), ovo de galinha (4,55%) e carnes (0,58%).

Entre os produtos com queda de preços estão frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%).

A alimentação fora do domicílio desacelerou de 0,55% em janeiro para 0,34% em fevereiro. A refeição passou de 0,66% para 0,49%, enquanto o lanche caiu de 0,27% para 0,15%.

Segundo o IBGE, o café moído registra o oitavo mês seguido de queda, acumulando retração de 10,13% em 12 meses. O arroz acumula queda de 27,86% no mesmo período.

Habitação e saúde

O grupo Habitação teve alta de 0,30% em fevereiro, após queda de 0,11% em janeiro. O aumento foi influenciado pela taxa de água e esgoto, que subiu 0,84% após reajustes tarifários em cidades como Porto Alegre, Belo Horizonte, Campo Grande e São Paulo.

Em Saúde e cuidados pessoais, o índice subiu 0,59%, com destaque para artigos de higiene pessoal (0,92%) e planos de saúde (0,49%).

Resultados regionais

Entre as capitais e regiões pesquisadas, a maior variação do IPCA ocorreu em Fortaleza, com alta de 0,98%, influenciada pelos cursos regulares e pela gasolina.

A menor variação foi registrada em Rio Branco, com 0,07%, resultado ligado à queda da energia elétrica residencial e do preço de automóveis novos.

INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, registrou alta de 0,56% em fevereiro. Em janeiro, o índice havia sido de 0,39%.

No acumulado do ano, o INPC soma 0,95%. Nos últimos 12 meses, o indicador ficou em 3,36%, abaixo dos 4,30% registrados anteriormente.

Assim como no IPCA, a maior variação regional do INPC ocorreu em Fortaleza (0,98%), influenciada pelos cursos regulares e pela gasolina. A menor foi registrada em Campo Grande (0,07%), devido à queda da energia elétrica residencial e do tomate.

O que mede o IPCA

O IPCA é produzido pelo Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC) e mede a inflação de produtos e serviços consumidos pelas famílias.

O indicador considera famílias com renda de um a 40 salários mínimos residentes em áreas urbanas de regiões metropolitanas e capitais brasileiras.

A coleta de preços ocorre em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e concessionárias de serviços públicos entre o primeiro e o último dia do mês de referência.


Com informações da Agência Gov*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus