O mundo corporativo vive uma mudança estrutural acelerada. A Inteligência Artificial deixou de ser tratada como tendência ou projeto experimental e passou a integrar o centro das decisões empresariais, influenciando diretamente crescimento, eficiência e competitividade em diferentes setores da economia.
A avaliação é do consultor Marx Gabriel, da MB Consultoria, que acompanhou debates internacionais sobre transformação empresarial durante uma das maiores conferências globais do setor varejista, realizada em Nova York. Segundo ele, os aprendizados observados já se aplicam a empresas de indústria, serviços, tecnologia, saúde, educação, finanças e consultoria.
“A vantagem competitiva não está em ter a tecnologia mais moderna, mas em conseguir executá-la com inteligência, dados confiáveis e uma cultura preparada para a mudança”, afirmou.
IA sai do piloto e vira operação
De acordo com o consultor, a principal mudança observada é a transição da Inteligência Artificial do estágio de testes para o papel de sistema operacional dos negócios. A tecnologia passou a estruturar processos internos, relacionamento com clientes e modelos de decisão.
Essa transformação, segundo Marx Gabriel, não se restringe ao varejo e já impacta bancos, seguradoras, empresas de software, consultorias e organizações de serviços, alterando a forma como produtos são oferecidos, decisões são tomadas e operações são executadas.
Durante os debates, executivos globais destacaram que personalização, automação inteligente e uso intensivo de dados já fazem parte da rotina empresarial em larga escala.
Agentes autônomos ganham espaço
Outro ponto central discutido foi o avanço dos chamados agentes autônomos de Inteligência Artificial, capazes de executar tarefas complexas de ponta a ponta, como recomendações personalizadas, análise de crédito, triagem de projetos, otimização logística e apoio à produção.
Dados apresentados indicam a dimensão dessa transformação. Sistemas globais de busca e descoberta processam dezenas de bilhões de interações diariamente, com atualizações constantes em tempo real, o que amplia a capacidade de personalização e tomada de decisão automatizada.
“Catálogos bem estruturados, preços claros e dados organizados deixaram de ser diferencial e passaram a ser obrigatórios”, destacou Angie Brown, do The Home Depot.
O crescimento do uso de IA também aparece nos números globais. Em 2024, foram processados cerca de 8,3 trilhões de tokens ligados à tecnologia. Em 2025, esse volume ultrapassou 90 trilhões, indicando uma aceleração significativa na adoção de soluções baseadas em IA.
Experiência e execução como diferenciais
Além da tecnologia, os debates reforçaram que a diferenciação competitiva está cada vez mais ligada à experiência do cliente, à clareza de posicionamento e à capacidade de execução. Casos apresentados mostraram que empresas que ouviram o consumidor e ajustaram estratégias conseguiram manter ciclos consecutivos de crescimento.
Outro ponto destacado foi que a maior barreira para muitas organizações não é a concorrência direta, mas a indecisão do cliente, o que exige comunicação clara, confiança e decisões mais rápidas.
Estratégia, cultura e dados
Para Marx Gabriel, a transformação empresarial passa pela combinação de três fatores: estratégia, cultura organizacional e dados bem interpretados, com a tecnologia aplicada de forma prática.
“Estratégia sem execução vira documento. Dados sem interpretação são apenas números. Tecnologia sem propósito vira custo. O que faz diferença é a combinação dos três”, afirmou.
Segundo o consultor, o cenário atual não aponta para um futuro distante, mas para uma realidade já em curso. Empresas que não se adaptarem com rapidez tendem a perder espaço em um ambiente cada vez mais competitivo e orientado por dados.
Com Informações da Assessoria
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






