O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou neste domingo (29) os Estados Unidos de planejarem uma ofensiva terrestre enquanto mantêm discurso público de diálogo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
A declaração foi divulgada pela agência estatal Irna. Segundo Ghalibaf, há divergência entre o posicionamento público e ações estratégicas em curso.
“Publicamente, o inimigo envia mensagens de negociação e diálogo enquanto, em segredo, planeja uma ofensiva terrestre”, afirmou.
O presidente Donald Trump tem mantido indefinição sobre o envio de tropas ao território iraniano. De acordo com o jornal The Washington Post, o Pentágono avalia operações terrestres com forças especiais por várias semanas, sem caracterizar invasão em larga escala.
Na sexta-feira (27), o secretário de Estado Marco Rubio declarou que os objetivos militares poderiam ser alcançados sem envio de tropas.
Um grupo naval dos Estados Unidos, liderado por um navio de assalto anfíbio e com cerca de 3.500 militares, chegou à área sob comando do Comando Central das Forças Armadas americanas, que abrange o Oriente Médio.
O comandante da Marinha iraniana, Shahram Irani, afirmou que o porta-aviões USS Abraham Lincoln poderá ser alvo caso entre no alcance de mísseis iranianos.
“Assim que o grupo aeronaval do USS Abraham Lincoln estiver ao alcance, vingaremos o sangue dos mártires do navio Dena lançando diferentes tipos de mísseis”, disse.
Enquanto o conflito avança, representantes de Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reúnem em Islamabad para discutir propostas de contenção da guerra.
Entre as medidas em análise estão mecanismos de controle do fluxo de combustíveis no Estreito de Ormuz, incluindo a criação de um consórcio internacional e cobrança de taxas semelhantes às do Canal de Suez.
O chanceler paquistanês, Ishaq Dar, afirmou que há apoio da China à mediação.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado instalações industriais no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos, incluindo empresas como Aluminium Bahrain e Emirates Global Aluminium.
Segundo o Irã, as unidades têm relação com o abastecimento da indústria militar dos Estados Unidos.
No território iraniano, bombardeios continuam. Cinco pessoas morreram em ataque ao porto de Bandar Jamir, próximo ao Estreito de Ormuz, segundo a agência Irna. Em Teerã, explosões foram registradas ao longo do dia.
A Agência Internacional de Energia Atômica informou que a usina de água pesada em Khondab sofreu danos e deixou de operar após ataque ocorrido na sexta-feira (27). Segundo o órgão, não havia material nuclear declarado no local.
Desde o início da guerra, o Irã mantém bloqueio no Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. A medida impacta o fornecimento de energia e pressiona preços internacionais.
Há risco de ampliação da crise com a atuação dos rebeldes houthis do Iêmen, que lançaram mísseis contra Israel e podem afetar o tráfego no Estreito de Bab el-Mandeb.
Em Israel, o Exército informou novos lançamentos de mísseis iranianos. Uma instalação industrial próxima a Bersheba foi atingida sem registro de feridos.
Kuwait e Emirados Árabes Unidos também relataram ataques com drones e mísseis. No Kuwait, dez soldados ficaram feridos após impacto em uma base militar.
Com informações da Folha de São Paulo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






