Irã ataca refinaria no Kuwait e Israel mata porta-voz da Guarda Revolucionária

Conflito no Oriente Médio avança sem perspectiva de cessar-fogo e amplia impactos no fornecimento global de energia
REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo

O Irã realizou ataques contra uma refinaria de petróleo no Kuwait nesta sexta-feira (20), enquanto Israel confirmou a morte de um porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana em ofensiva na capital Teerã. As ações ocorrem no contexto do conflito que também envolve os Estados Unidos e segue sem sinal de trégua.

A estatal de energia do Kuwait informou que a refinaria de Mina Al-Ahmadi foi atingida por drones, provocando incêndios em unidades operacionais. Paralelamente, a televisão estatal iraniana confirmou a morte de Ali Mohammad Naini, integrante da estrutura de comunicação da Guarda Revolucionária, durante ataques israelenses.

A escalada militar atinge diretamente a infraestrutura energética da região. No Catar, a empresa QatarEnergy informou que ataques anteriores causaram danos em instalações de processamento de gás em Ras Laffan, um dos principais polos de gás natural liquefeito do mundo.

Na Arábia Saudita, autoridades relataram a interceptação de mísseis e tentativas de ataque com drones contra instalações de gás e petróleo. Já a refinaria de Yanbu, no Mar Vermelho, também foi alvo de ofensivas.

Os ataques ocorrem após ações israelenses contra o campo de gás de South Pars, no Irã, considerado um dos maiores depósitos de gás natural do mundo e compartilhado com o Catar.

O conflito tem reflexos diretos no mercado internacional. O petróleo Brent chegou a ultrapassar US$ 115 por barril durante a semana, antes de recuar para cerca de US$ 108.

O Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás, opera com restrições após ações militares iranianas. Analistas apontam risco de interrupção prolongada no fornecimento global.

Estimativas indicam redução de aproximadamente 12 milhões de barris por dia no fluxo de petróleo e derivados, afetando transporte, indústria e cadeias logísticas. A Agência Internacional de Energia avalia que a normalização pode levar meses.

As forças armadas de Israel afirmaram ter atingido instalações governamentais e militares em Teerã. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra território israelense, acionando sistemas de defesa aérea em cidades como Tel Aviv e Jerusalém.

Autoridades israelenses relataram que alguns projéteis continham cargas de fragmentação. O serviço de emergência informou registros de danos e atendimento a feridos.

A Guarda Revolucionária iraniana declarou que mantém a produção de mísseis e que possui capacidade para continuar ataques a alvos estratégicos na região, incluindo instalações energéticas e interesses dos EUA.

Declarações oficiais indicam estratégias distintas entre os aliados. A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, afirmou que Israel concentra esforços na liderança iraniana, enquanto os Estados Unidos priorizam a redução da capacidade militar do país.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Irã teria limitações para enriquecer urânio e produzir mísseis, mas reconheceu que uma mudança de governo exigiria ação terrestre.

O presidente Donald Trump declarou que não pretende enviar tropas neste momento, mas não descartou medidas adicionais. Autoridades americanas avaliam o envio de reforços militares para a região.

Países como Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão, Canadá e Holanda anunciaram cooperação para garantir a segurança da navegação no Golfo. O chanceler alemão, Friedrich Merz, condicionou a atuação a um cessar-fogo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a prioridade é reduzir a escalada e manter o respeito ao direito internacional.

O conflito já deixou milhares de mortos e milhões de deslocados, principalmente no Irã e no Líbano, onde Israel também realiza operações contra o Hezbollah.

O cenário também impacta a política interna dos países envolvidos. Nos Estados Unidos, o aumento dos preços de combustíveis e a possibilidade de uma operação terrestre influenciam o debate político. Em Israel, o governo mantém apoio à continuidade das operações militares.

Especialistas apontam que, mesmo com eventual cessar-fogo, os efeitos sobre o mercado de energia e a estabilidade regional podem se estender por meses ou anos.


Com informações da Reuters*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus