Irã busca piloto dos EUA e sinaliza abertura para negociação de paz em meio à guerra

Conflito entra na sexta semana com ataques no Golfo, tensão com os Estados Unidos e impactos no tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz
Foto: Força Aérea dos EUA/Divulgação via REUTERS

A guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel entrou na sexta semana com operações militares em andamento e sinais limitados de negociação. Neste sábado, forças iranianas intensificaram buscas por um piloto americano desaparecido após a queda de aeronaves durante confrontos sobre o território iraniano e o Golfo.

Autoridades informaram que dois aviões foram abatidos. Segundo fontes americanas, um piloto conseguiu se ejetar de uma aeronave A-10 Warthog que caiu no Kuwait após ser atingida. Já o Irã afirma ter derrubado um caça F-15E de dois lugares. O paradeiro de um dos pilotos segue desconhecido.

As buscas mobilizam forças iranianas no sudoeste do país. De acordo com autoridades locais, há operação para localizar o militar, com promessa de recompensa por informações sobre “forças inimigas”.

Dois helicópteros Black Hawk dos Estados Unidos que participavam das buscas foram atingidos por disparos iranianos, mas conseguiram deixar o espaço aéreo. Não há confirmação sobre o estado de saúde das tripulações.

Os episódios ampliam a tensão para o governo de Donald Trump, que afirmou ter controle do espaço aéreo iraniano. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também havia feito declarações no mesmo sentido.

Nos últimos dias, Trump voltou a ameaçar intensificar ataques contra o Irã caso não haja acordo. Em publicação na rede Truth Social, afirmou que o prazo para um entendimento está próximo e citou a possibilidade de novas ações militares se o país não abrir o Estreito de Ormuz.

O governo iraniano indicou disposição para negociações indiretas. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou que o país aceita mediação do Paquistão, mas condiciona qualquer diálogo a um acordo definitivo para encerrar o conflito.

No campo militar, o Irã realizou ataques no Golfo e informou ter atingido um navio ligado a Israel com um drone no Estreito de Ormuz. A via marítima concentra cerca de um quinto do transporte global de petróleo e gás natural liquefeito. O tráfego na região foi afetado após a escalada do conflito.

A Guarda Revolucionária do Irã declarou ter lançado mísseis e drones contra alvos em Israel e estruturas militares dos Estados Unidos no Golfo, incluindo sistemas HIMARS no Kuwait e baterias Patriot no Bahrein.

O comando militar iraniano afirmou ter utilizado novos sistemas de defesa aérea para atingir aeronaves, drones e mísseis. Segundo autoridades, os equipamentos foram desenvolvidos no país e começaram a ser empregados durante os ataques recentes.

Do lado israelense, as Forças Armadas informaram a realização de ataques contra alvos em Teerã. Paralelamente, Israel mantém operações contra o Hezbollah, com ações registradas em Beirute.

No Irã, ataques aéreos atingiram uma zona petroquímica no sudoeste, deixando cinco feridos, segundo a mídia estatal. Um projétil também alcançou uma área próxima à usina nuclear de Bushehr, causando uma morte. As operações da usina não foram interrompidas.

A estatal russa Rosatom retirou 198 funcionários da unidade, em operação planejada anteriormente.

O conflito também gera impacto político nos Estados Unidos. Segundo fontes, Trump avalia mudanças no governo após a saída da procuradora-geral Pam Bondi. A Casa Branca enfrenta pressão interna com aumento no preço dos combustíveis e queda na aprovação, em cenário pré-eleitoral.

Analistas avaliam que o conflito cria dificuldades estratégicas para os Estados Unidos. Segundo especialistas, a continuidade da guerra amplia riscos militares e limita opções de saída no curto prazo.


Com informações da Reuters*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus