A janela partidária encerrada nesta sexta-feira (3), resultou na troca de partido de ao menos 85 dos 513 deputados federais. O número representa cerca de 17% das cadeiras da Câmara dos Deputados. Os dados ainda podem sofrer ajustes, já que parte das mudanças de última hora pode não ter sido registrada no sistema.
O União Brasil foi o partido que mais perdeu parlamentares. A legenda, formada pela fusão entre DEM e PSL, elegeu 59 deputados em 2022 e encerra a janela com 16 a menos. Entre os motivos apontados estão a federação com o PP e a movimentação de parlamentares ligados ao campo bolsonarista.
Parte dessas saídas teve como destino o Partido Liberal, que foi a sigla que mais recebeu novos integrantes. O partido, ligado ao senador Flávio Bolsonaro, atraiu 13 deputados e superou o número de cadeiras obtido na eleição de 2022, quando elegeu 99 parlamentares. Antes da janela, a bancada havia caído para 87 integrantes.
O PSD também registrou crescimento. A legenda presidida por Gilberto Kassab perdeu sete deputados, mas atraiu 14, com saldo positivo de sete cadeiras. Com isso, alcança 54 parlamentares e passa a figurar entre as maiores bancadas da Câmara.
Outras siglas apresentaram variações menores. O PDT perdeu quatro deputados e ficou com 13 integrantes. O Podemos ganhou cinco parlamentares e chegou a 21 cadeiras, superando o PSDB, que passou a ter 18 representantes.
Segundo avaliação política, partidos como Podemos e PSDB atraem parlamentares por oferecerem estrutura partidária e menor disputa interna nos estados.
Entre os partidos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não houve mudanças no Partido dos Trabalhadores até o momento. Já o Partido Verde e o PCdoB informaram ter ganhado um deputado cada. A federação entre as três siglas soma atualmente 87 cadeiras.
O PSB informou perda de dois deputados, mas o número pode ser alterado com a consolidação das filiações após a entrada do senador Rodrigo Pacheco na legenda. A expectativa é que aliados dele migrem para o partido visando a disputa pelo governo de Minas Gerais.
A janela partidária é o período em que deputados federais e estaduais podem trocar de partido sem risco de perda de mandato por infidelidade partidária. O prazo ocorre 30 dias antes da data final de filiação para a eleição, marcada para 4 de outubro. Senadores não estão sujeitos à mesma regra.
Antes mesmo da abertura da janela, 48 deputados já haviam mudado de partido mediante acordo entre as siglas. Entre os casos estão o ex-ministro Ricardo Salles, que deixou o PL e se filiou ao Novo para disputar o Senado, e Luciano Zucco, que saiu do Republicanos para o PL.
A movimentação partidária impacta a correlação de forças no Congresso e influencia negociações políticas, formação de alianças e estratégias eleitorais. Apesar disso, as mudanças não alteram a distribuição do fundo eleitoral, que segue baseada no desempenho das siglas na eleição anterior.
Com informações da Folha de São Paulo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






