O governo do Japão anunciou um investimento inicial de até US$ 36 bilhões em projetos de petróleo, gás natural e minerais críticos nos Estados Unidos. O valor integra um compromisso mais amplo de US$ 550 bilhões previsto no acordo comercial firmado entre os dois países.
A iniciativa foi confirmada após publicação de Donald Trump nas redes sociais, na qual relacionou os investimentos à política tarifária aplicada a produtos japoneses. Segundo o presidente americano, os projetos fazem parte da estratégia para ampliar a produção energética e industrial nos EUA.
A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que os investimentos foram estruturados para fortalecer cadeias de suprimentos em áreas consideradas estratégicas, como energia, inteligência artificial e minerais essenciais à indústria tecnológica. De acordo com o governo japonês, o objetivo é reduzir riscos externos e ampliar a cooperação econômica.
Em outubro do ano passado, durante visita oficial de Trump a Tóquio, os dois países assinaram um acordo voltado ao fornecimento de minerais críticos e terras-raras, considerados fundamentais para a produção de semicondutores, baterias e equipamentos eletrônicos.
Usina de gás natural em Ohio
O principal projeto do pacote é a construção de uma usina de gás natural no estado de Ohio, com capacidade estimada de 9,2 gigawatts. O empreendimento foi anunciado pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.
Segundo documentos oficiais, o investimento pode chegar a US$ 33 bilhões. A unidade será liderada pela SB Energy, subsidiária do SoftBank Group, grupo que atua nos setores de tecnologia e energia.
O Ministério da Economia do Japão confirmou o envolvimento do SoftBank no projeto. Empresas como Toshiba e Hitachi também demonstraram interesse em participar da iniciativa.
Em operação plena, a usina poderá gerar energia equivalente à de nove reatores nucleares ou ao consumo de aproximadamente 7,4 milhões de residências atendidas pela rede da PJM Interconnection LLC, maior operadora de sistemas elétricos dos Estados Unidos.
Autoridades americanas afirmam que o projeto deve atender à crescente demanda por energia gerada por centros de dados e aplicações de inteligência artificial.
Terminal de exportação no Golfo do México
O segundo investimento envolve a construção de um terminal de exportação de petróleo bruto em águas profundas no Golfo do México. A instalação Texas GulfLink receberá US$ 2,1 bilhões e será operada pela Sentinel Midstream.
De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, o terminal poderá gerar até US$ 30 bilhões por ano em exportações quando atingir sua capacidade máxima. O projeto tem como foco ampliar a participação americana no mercado internacional de petróleo.
Inicialmente, Trump descreveu a iniciativa como uma instalação de gás natural liquefeito, o que gerou dúvidas sobre o escopo do empreendimento. Posteriormente, o governo esclareceu que se trata de um terminal voltado ao petróleo bruto.
Produção de diamantes sintéticos
O terceiro projeto prevê a instalação de uma fábrica de diamantes industriais sintéticos no estado da Geórgia, com investimento estimado em US$ 600 milhões.
A unidade será operada pela Element Six, subsidiária da De Beers. A planta produzirá grãos de diamante por meio de processos de alta pressão e temperatura.
O material é utilizado em setores como semicondutores, indústria automotiva, energia e equipamentos de precisão, devido à sua resistência e durabilidade.
Segundo Lutnick, os diamantes sintéticos são considerados insumos estratégicos para a indústria tecnológica avançada.
Regras de implementação e tarifas
O secretário-chefe do Gabinete do Japão, Minoru Kihara, afirmou que os governos seguem em negociação para acelerar a implementação dos projetos.
Pelo acordo bilateral, após a seleção de cada iniciativa, o Japão tem até 45 dias úteis para estruturar o financiamento. Caso o prazo não seja cumprido, os Estados Unidos poderão elevar tarifas ou revisar benefícios previstos.
O pacto comercial prevê tarifas de 15% sobre produtos japoneses, com redução específica para o setor automotivo. Trump chegou a ameaçar elevar as taxas para 25%, mas recuou após a ampliação dos investimentos.
Autoridades japonesas afirmam que os projetos apoiados pelo fundo não devem envolver alto risco financeiro, priorizando retornos estáveis.
Estrutura de financiamento
O financiamento contará com participação do Japan Bank for International Cooperation e da Nippon Export and Investment Insurance.
Segundo o Ministério da Economia do Japão, apenas 1% a 2% do fundo de US$ 550 bilhões deve ser composto por aportes diretos em dinheiro. A maior parte será formada por empréstimos, garantias e seguros de crédito.
Ainda não está definido quanto do valor inicial será aplicado como investimento direto nos projetos anunciados.
Impacto econômico e contexto político
De acordo com o Ministério das Finanças japonês, os US$ 36 bilhões representam mais da metade do investimento estrangeiro direto líquido do Japão nos Estados Unidos em 2025.
O anúncio ocorre antes da reunião prevista entre Trump e Takaichi, em 19 de março, em Washington, quando a implementação do acordo deve ser um dos temas centrais.
Na semana anterior, Lutnick e o ministro japonês Ryosei Akazawa se reuniram para ajustar detalhes técnicos da primeira etapa dos investimentos.
Durante visita de Trump ao Japão no ano passado, os dois países identificaram projetos potenciais entre US$ 350 milhões e US$ 100 bilhões, envolvendo empresas como a Westinghouse Electric Company.
Avaliação de especialistas
Para o pesquisador William Chou, do Hudson Institute, os projetos refletem prioridades comuns nas áreas de energia, semicondutores e tecnologia.
Segundo ele, o pacote fortalece a parceria estratégica entre os dois países e sinaliza o alinhamento do Japão às políticas industriais e energéticas dos Estados Unidos.
“O anúncio reforça o papel do Japão como parceiro econômico e amplia sua presença em setores considerados estratégicos pelo governo americano”, afirmou.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






