Marina Silva condiciona avanço da BR-319 ao cumprimento de regras ambientais e alerta para impactos climáticos

Ministra afirma que obra é possível com governança e proteção territorial; declaração foi feita durante evento no Inpa, em Manaus

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a recuperação da BR-319 pode ser realizada, desde que sejam cumpridas exigências ambientais e de governança. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 26, durante o lançamento do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu), no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus.

Segundo a ministra, a obra não é inviável, mas depende de medidas como a criação de unidades de conservação, regularização de terras indígenas e controle do desmatamento.

“Se for em condições de segurança, criando as unidades de conservação, estabelecendo as terras indígenas, não permitindo mais que as áreas que ainda não foram destinadas sejam usadas para corte raso, se tiver governança, é possível fazer. Agora, se não tiver isso, vai destruir o coração da Amazônia”, afirmou.

Marina Silva também rebateu críticas de que seria contrária à repavimentação da rodovia. De acordo com ela, o debate não é sobre impedir a obra, mas garantir que seja executada com responsabilidade ambiental.

“A gente pode fazer da forma certa. O problema é que a gente vive um mundo que quer viver sem regras. Não fazendo da forma correta, vai ter um preço alto que se pode pagar”, disse.

Durante o evento, a ministra destacou ainda o avanço de políticas voltadas à transição ecológica. Segundo ela, os recursos mobilizados pelo Fundo Clima passaram de cerca de R$ 400 milhões para aproximadamente R$ 170 bilhões, dentro de um plano articulado com o Ministério da Fazenda.

Outro ponto citado foi a ampliação de concessões para restauração ambiental. Um dos exemplos é uma área na Floresta Nacional do Bom Futuro, onde empresas assumem a recuperação de áreas degradadas, com acompanhamento contínuo.

A ministra também anunciou a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa global voltada ao financiamento da preservação de florestas em pé. O fundo já conta com cerca de US$ 6,5 bilhões e tem como meta alcançar US$ 25 bilhões, beneficiando países com florestas tropicais.

No mesmo evento, foi lançado o PSA Pirarucu, que prevê a mobilização de R$ 15 milhões em dois anos para apoiar comunidades envolvidas no manejo sustentável da espécie. A iniciativa deve beneficiar cerca de 5,5 mil pessoas, com impacto direto na geração de renda e na conservação ambiental. Segundo a ministra, o programa pode representar um aumento de até 40% na renda dos beneficiários.

“Essa, especificamente para os manejadores do pirarucu, serão cerca de 5.500 pessoas beneficiadas por esse pagamento”, afirmou.

O vice-presidente do Instituto Mamirauá, Pedro Oliveira, destacou que o manejo sustentável contribui para a segurança alimentar e a estabilidade das comunidades na região.

“Isso garante que a gente tenha sustentabilidade na região, tenha boa qualidade de vida e o mais importante é manter a floresta em pé”, disse.

A ministra também citou outras iniciativas, como o programa Bolsa Verde, que atende mais de 70 mil famílias em todo o país com pagamento por serviços ambientais.

Com Informações do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus