Mojtaba Khamenei está vivo e desponta como favorito à sucessão no Irã, dizem fontes

Filho de Ali Khamenei não estava em Teerã no momento do ataque israelense; Assembleia de Especialistas deve anunciar novo líder em meio à guerra
Foto: AP/Vahid Salemi, Arquivo

Mojtaba Khamenei, de 56 anos, está vivo e é o favorito para suceder o pai, Ali Khamenei, na liderança suprema do Irã, segundo duas fontes iranianas ouvidas pela Reuters nesta quarta-feira. Ele não estava em Teerã no momento do ataque aéreo israelense que matou o líder de 86 anos no sábado.

O bombardeio destruiu o complexo do líder supremo e também matou a esposa de Khamenei, outro filho e integrantes das forças armadas e da liderança iraniana. Trata-se do primeiro assassinato de um chefe máximo de Estado por ataque aéreo.

A mídia estatal informou que o funeral, previsto para começar na noite de quarta-feira em uma mesquita de Teerã, foi adiado. Novas explosões foram registradas na capital iraniana.

Sucessão sob guerra

A Assembleia de Especialistas, responsável por escolher o líder supremo, deve anunciar a decisão em breve. Será a segunda escolha desde a fundação da República Islâmica, em 1979.

“O Líder Supremo será identificado na primeira oportunidade, estamos perto de uma conclusão. No entanto, a situação no país é de guerra”, afirmou o aiatolá Ahmad Khatami à TV estatal. Ele disse que os candidatos já foram definidos, mas não divulgou nomes.

Israel declarou que perseguirá qualquer sucessor. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que todo líder escolhido para dar continuidade às políticas do regime será alvo de eliminação.

Além de Mojtaba Khamenei, é citado como possível candidato Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica e ligado à ala reformista. Segundo as fontes iranianas, Mojtaba é visto como o favorito por sua atuação junto às forças de segurança e à estrutura econômica ligada ao aparato estatal.

Escalada militar

Estados Unidos e Israel mantiveram ataques contra o Irã pelo quinto dia consecutivo. O comandante do Comando Central das Forças Armadas dos EUA, almirante Brad Cooper, afirmou que a campanha está “à frente do planejado”. Segundo ele, 50 mil militares, 200 aviões e dois porta-aviões participam das operações.

“Em termos simples, estamos focados em atirar em coisas que podem atirar em nós”, disse.

Israel informou que um caça F-35 abateu um avião iraniano Yak-130 sobre Teerã, no que seria o primeiro registro de um F-35 derrubando uma aeronave tripulada em combate.

A ofensiva também se estendeu ao Líbano. O Exército israelense afirmou que tropas avançam no sul do país e orientou a evacuação de áreas ao sul do rio Litani, após ataques do Hezbollah.

Em Israel, sirenes de alerta soaram enquanto mísseis iranianos eram interceptados.

Impacto econômico

O conflito afetou os mercados globais. Bolsas asiáticas registraram quedas, incluindo recuo em Seul, enquanto mercados europeus se recuperaram após dois dias de perdas.

O petróleo subiu após o Irã atacar navios e instalações de energia e fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. Dezenas de navios ficaram retidos no Golfo.

O Catar interrompeu a produção de gás natural liquefeito, e o Iraque reduziu a produção de petróleo. A Guarda Revolucionária afirmou que o estreito está sob controle da Marinha iraniana e alertou embarcações a não transitarem pela área.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha pode escoltar petroleiros, se necessário. Analistas avaliam que a medida pode não ser suficiente para conter a alta dos preços da energia.

Clima interno

Parte da população iraniana celebrou a morte do líder supremo. No entanto, moradores relataram receio de protestar em meio aos bombardeios.

“Não temos para onde ir para nos proteger das greves, como podemos protestar?”, disse Farah, de 45 anos, por telefone, em Teerã. Ela afirmou temer a repressão da Guarda Revolucionária e da milícia basiji.

Apesar de expectativas iniciais de rápida desestabilização do governo iraniano, o país manteve ataques contra Israel e contra Estados do Golfo que abrigam bases americanas.


Com informações da Reuters*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus