“Não posso, em sã consciência, apoiar essa guerra”, diz ex-diretor ao renunciar nos EUA

Saída de Joe Kent expõe divergências internas sobre ofensiva contra o Irã; FBI investiga possível vazamento de informações

O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, pediu demissão na terça-feira, 17, ao criticar a guerra conduzida pelo governo de Donald Trump contra o Irã. A saída ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e a divergências dentro da própria base política do presidente norte-americano. Em carta de renúncia, Kent foi direto ao justificar a decisão.

“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”, afirmou. Segundo ele, o país não representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos no momento da ofensiva.

O ex-diretor também alegou que houve influência externa e falhas na condução do conflito. Para Kent, uma “campanha de desinformação” teria contribuído para o avanço da guerra, em um cenário que ele compara ao período que antecedeu a Guerra do Iraque.

Após a renúncia, o FBI abriu uma investigação para apurar um possível vazamento de informações confidenciais envolvendo Kent. A apuração, segundo fontes ouvidas pelo site Semafor, já estaria em andamento há alguns meses e antecederia a saída do cargo.

Aliados do presidente Donald Trump reagiram à demissão e passaram a classificar Kent como informante. Questionado sobre o caso, Trump criticou o ex-diretor e afirmou que ele era “muito fraco em segurança”, reforçando o posicionamento de que o Irã representa uma ameaça.

A crise também evidencia um racha entre apoiadores do governo. Nomes influentes do campo conservador, como Tucker Carlson e Joe Rogan, têm criticado a ofensiva militar, argumentando que o conflito não atende aos interesses diretos dos Estados Unidos.

Analistas avaliam que o cenário pode gerar impactos políticos, principalmente entre eleitores republicanos mais alinhados à agenda “America First”, que defende menor envolvimento em conflitos externos. O caso segue em desdobramento, com investigação em curso e sem definição sobre possíveis implicações para o ex-diretor.

Com Informações da Agências Internacionais

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus