A Rússia confirmou nesta segunda-feira (2), que a segunda rodada de negociações trilaterais sobre a guerra na Ucrânia será realizada a partir de quarta-feira (4), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com mediação dos Estados Unidos. As reuniões também ocorrerão na quinta-feira (5).
A confirmação foi feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em entrevista telefônica diária citada pela agência de notícias espanhola EFE. Segundo ele, a rodada prevista inicialmente para o domingo foi adiada devido à necessidade de coordenação de agendas entre as partes envolvidas.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, já havia anunciado no domingo que os próximos contatos trilaterais ocorreriam nos dias 4 e 5 de fevereiro. De acordo com Peskov, o adiamento também esteve relacionado à informação de que o principal negociador norte-americano, Steve Witkoff, não viajaria aos Emirados Árabes Unidos na data inicialmente prevista.
Encontro paralelo e posição das partes
O adiamento das negociações ocorreu após a divulgação de uma reunião realizada no fim de semana, na Flórida, entre Steve Witkoff e Kiril Dmitriev, emissário do Kremlin e chefe do fundo soberano da Rússia. Peskov confirmou o encontro, mas afirmou que as conversas se concentraram em questões econômicas. Representantes da Ucrânia não participaram dessa reunião.
Apesar do adiamento, Zelensky declarou que a Ucrânia está “pronta para uma discussão substancial” com a Rússia nas negociações mediadas pelos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que o objetivo de Kiev é garantir que o processo leve a “um fim real e digno da guerra”, iniciada pela Rússia há quase quatro anos com a invasão em larga escala do território ucraniano.
Impasses permanecem
Segundo Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, a primeira rodada de negociações, realizada em Abu Dhabi nos dias 23 e 24 de janeiro, foi considerada construtiva. Ainda assim, os principais obstáculos continuam sendo a definição sobre territórios ocupados no leste e no sul da Ucrânia e o controle da Central Nuclear de Zaporizhia.
Atualmente, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, incluindo quase toda a região de Luhansk e aproximadamente 80% de Donetsk. Moscou defende que Kiev ceda integralmente a região de Donetsk como parte de um acordo de paz, proposta rejeitada pelo governo ucraniano.
Zelensky afirmou que considera um encontro direto com o presidente russo, Vladimir Putin, como a única forma de superar o impasse nas negociações. O Kremlin, por sua vez, insiste que uma eventual reunião ocorra em Moscou, condição recusada pelo presidente ucraniano.
A próxima rodada de conversações deverá retomar a discussão de um plano de paz apoiado pelos Estados Unidos, que inclui possíveis acordos territoriais, garantias de segurança e propostas para a reconstrução do país após o conflito.
Com informações do The New York Times*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






