A cidade de Petropavlovsk-Kamchatsky, principal centro urbano da Península de Kamchatka, no Extremo Oriente da Rússia, teve a rotina alterada após dias consecutivos de nevascas que deixaram ruas bloqueadas, carros soterrados e acessos a prédios comprometidos. Autoridades locais decretaram estado de emergência depois que duas pessoas morreram ao serem atingidas por neve que caiu de telhados em 15 de janeiro, segundo a agência estatal RIA Novosti.
Dados do Centro Hidrometeorológico da Rússia indicam que a profundidade da neve chegou a cerca de 1,70 metro em 16 de janeiro e recuou para aproximadamente 1,50 metro no dia 21. Imagens verificadas pelo The New York Times mostram montes ainda mais altos em alguns pontos, explicados pela ação do vento, que concentra a neve contra prédios, muros e cercas.
Segundo o pesquisador Vladimir Alexeev, da Universidade do Alasca em Fairbanks, “a neve não cai de forma uniformemente plana. O vento é o responsável por formar esses enormes montes de neve”.
A intensidade do inverno chamou atenção também pela circulação de vídeos nas redes sociais. Especialistas apontam que parte do material foi exagerada ou produzida com inteligência artificial. David Robinson, diretor do Global Snow Lab da Universidade Rutgers, afirmou que alguns clipes exibem “cenas de neve ridiculamente inacreditáveis” criadas por IA, enquanto outras imagens parecem autênticas.
Morador da cidade, Andrey Stepanchuk disse que a neve não ultrapassou o terceiro andar dos prédios e que a situação foi “nada catastrófico”, embora a remoção do grande volume acumulado tenha sido um desafio.
De acordo com a diretora do Centro Hidrometeorológico de Kamchatka, Vera Polyakova, a região não registrava um volume de neve semelhante havia quase 60 anos. A nevasca de janeiro ocorreu após um dezembro já marcado por precipitações acima da média.
A Península de Kamchatka tem cerca de 1.300 quilômetros de extensão e é conhecida por sua atividade geológica e por um histórico de desastres naturais. Em 29 de julho, um terremoto de magnitude 8,8 atingiu a área marítima próxima à costa, considerado o sexto maior desde 1900 pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Em 3 de agosto, o vulcão Krasheninnikov entrou em erupção pela primeira vez em pelo menos 400 anos, lançando cinzas a seis quilômetros de altura, segundo a Reserva Natural de Kronotsky.
Neste inverno, porém, o principal impacto veio do clima. Marty Ralph, diretor do Centro de Extremos Climáticos e Hídricos do Oeste, da Universidade da Califórnia em San Diego, identificou fortes nevascas entre 12 e 16 de janeiro. Segundo ele, uma tempestade alimentada por um rio atmosférico de umidade do norte do Pacífico atingiu a península, seguida por outro sistema mais fraco. A combinação de temperaturas baixas, ventos fortes e um oceano relativamente mais quente favoreceu a formação de grandes volumes de neve.
Fenômeno semelhante foi registrado no sul do Alasca, onde a cidade de Juneau acumulou 2,08 metros de neve em dezembro, antes de enfrentar inundações causadas pela mistura de neve e chuva em janeiro.
De acordo com Robinson, “esses são os tipos de sistemas que às vezes se veem ao longo da Costa Oeste dos Estados Unidos continentais na maioria dos invernos”. Ele afirmou ainda: “A chave para os grandes volumes acumulados não foi apenas a quantidade de umidade transportada pelos ‘rios’, mas também a persistência deles sobre as mesmas áreas por vários dias”.
Como informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






