Nhamundá recebe sinal verde para solução inédita no lixo urbano do estado

Autorização ambiental permite implantação da primeira usina municipal de carbonização de resíduos sólidos urbanos do Amazonas

O município de Nhamundá, a 383 quilômetros de Manaus, recebeu autorização ambiental para implantar a primeira Usina Municipal de Carbonização de Resíduos Sólidos Urbanos do Amazonas. A liberação foi concedida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e encaminhada para publicação no Diário Oficial do Estado, permitindo o início da fase de implantação do empreendimento.

A iniciativa surge como alternativa ao modelo atualmente adotado para a destinação do lixo no município, que depende do transporte de resíduos por balsa até a Serra do Matió. A limitação de áreas disponíveis para a instalação de aterro sanitário e as dificuldades logísticas impostas pelos períodos de cheia e vazante dos rios motivaram a adoção de uma solução tecnológica compatível com a realidade local.

Segundo o Ipaam, o sistema permitirá que os resíduos sólidos urbanos sejam tratados dentro da própria sede municipal. Apenas o material que não for passível de reciclagem ou reaproveitamento, após o processo de coleta seletiva, será destinado à carbonização, reduzindo o volume de resíduos transportados e possibilitando o início da remediação ambiental da área atualmente utilizada como vazadouro.

De acordo com o órgão ambiental, a tecnologia adotada busca conciliar gestão eficiente dos resíduos e adequação às características geográficas do Amazonas.

“Esse sistema oferece uma alternativa ambientalmente adequada para localidades que enfrentam restrições territoriais e dificuldades logísticas para a destinação final dos resíduos sólidos”, destacou Gustavo Picanço, diretor-presidente do Ipaam. Ele acrescentou que a experiência de Nhamundá pode servir de referência para outros municípios com perfil semelhante.

A autorização ambiental contempla a construção do galpão industrial e do prédio administrativo, além da implantação de sistema de drenagem e controle de águas pluviais, vias internas de acesso, instalações elétricas e demais estruturas de apoio necessárias ao funcionamento da usina. O documento estabelece condicionantes ambientais que deverão ser cumpridas durante toda a fase de implantação.

O modelo adotado integra a coleta seletiva ao processo de carbonização e abrange não apenas a sede urbana, mas também comunidades da zona rural, áreas mais afastadas e terras indígenas, ampliando o alcance e a eficiência do sistema.

“Se esse modelo der certo, outros municípios com características semelhantes poderão utilizar a mesma solução”, afirmou Edson Pinheiro, responsável pela Gerência de Controle de Resíduos do Ipaam.

 

Com Informações do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus