O Governo Federal deu início, nesta sexta-feira (23), a uma nova etapa da expansão da infraestrutura de telecomunicações na Amazônia com a ativação da segunda fase do programa Norte Conectado. A movimentação começou a partir do porto Super Terminais, em Manaus, onde foi iniciada uma operação logística de grande porte para viabilizar a instalação de três novos trechos de rede de fibra óptica na região.
A ação marca o início da implantação das chamadas infovias 05, 06 e 08, que irão formar novos corredores de transmissão de dados por rotas fluviais estratégicas. O projeto é executado sob coordenação do Ministério das Comunicações, com apoio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e utiliza embarcações especializadas para o transporte e lançamento dos cabos nos leitos dos rios Madeira, Purus e Juruá.
Com a nova estrutura, o governo pretende criar conexões diretas entre Autazes (AM) e Porto Velho (RO), Manacapuru (AM) e Rio Branco (AC), além de Fonte Boa (AM) e Cruzeiro do Sul (AC). A expectativa é que esses enlaces passem a integrar municípios que hoje enfrentam limitações técnicas de acesso à internet de alta capacidade.
De acordo com o Ministério das Comunicações, os cabos utilizados nesta fase possuem 24 pares de fibra óptica e capacidade de transmissão de até 96 terabytes por segundo, volume suficiente para atender tanto a demanda atual quanto a expansão futura do tráfego de dados na região. O material é produzido com componentes inertes e atóxicos e foi projetado para permanecer instalado de forma estável no fundo dos rios, sem interação com a água ou interferência no ambiente.
A estratégia de usar os rios como rota para a infraestrutura é apresentada pelo governo como alternativa às obras terrestres de grande porte. Segundo a avaliação técnica do programa, o modelo reduz custos de implantação, simplifica a manutenção da rede e diminui a necessidade de intervenções em áreas de floresta.
Quando estiver totalmente concluído, o Norte Conectado deverá somar cerca de 13,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica, formando uma malha que vai alcançar 70 municípios distribuídos pelos estados do Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia e Amapá. A estimativa oficial é que aproximadamente 7,5 milhões de pessoas possam ser atendidas pela nova infraestrutura.
Para a Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável pela execução operacional do projeto, a proposta é criar uma base permanente para a digitalização de serviços públicos e privados na região.
A CEO da entidade, Gina Marques, afirmou que a iniciativa busca conciliar expansão tecnológica e preservação ambiental.
“Quando falamos em conectividade significativa, falamos de algo que vai além de sinal. Esse projeto propõe infraestrutura pensada para durar, respeitar a floresta e chegar onde o Brasil sempre teve mais dificuldade de chegar. Ao lançar fibra óptica pelos rios da Amazônia, estamos transformando geografia em oportunidade e tecnologia em cidadania. É assim que a EAF, por meio do Norte Conectado, traduz política pública em impacto real na vida das pessoas”, disse.
Norte Conectado
O Norte Conectado é um dos principais programas estruturantes do Governo Federal voltados à expansão da infraestrutura de comunicações na Amazônia Legal. A iniciativa tem potencial para beneficiar cerca de 7,5 milhões de pessoas em 70 municípios dos estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Pará.
Quando estiver concluída, a rede deve ultrapassar 13 mil quilômetros de cabos de fibra óptica subfluviais, interligando sedes municipais a grandes centros de dados e às redes nacionais de telecomunicações. A expectativa do governo é que a estrutura sirva de base para a expansão de serviços digitais, melhoria de sistemas de saúde e educação, modernização da administração pública e ampliação da cobertura de internet móvel e fixa.
Com investimento estimado em R$ 1,3 bilhão, o projeto adota o modelo subfluvial para a instalação dos cabos, com a estimativa de evitar o desmatamento e contribuir para a preservação de mais de 50 milhões de árvores. A proposta combina expansão de infraestrutura, desenvolvimento regional e diretrizes ambientais.
Sobre a EAF
A Entidade Administradora da Faixa (EAF) é uma instituição sem fins lucrativos criada por determinação da Anatel e vinculada ao Ministério das Comunicações. Entre suas atribuições estão a limpeza da faixa de 3,5 GHz, necessária para a operação do 5G no Brasil, a execução dos programas Siga Antenado e Brasil Antenado, a implantação das infovias na Amazônia e a implementação de redes privativas de comunicação para o Governo Federal.
Com informações do G1 AM e do Ministério das Comunicações*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






