A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, no Oriente Médio, voltou a pressionar o mercado internacional de energia e fez o preço do petróleo ultrapassar US$ 100 por barril, o maior nível desde fevereiro de 2022, quando começou a guerra entre Rússia e Ucrânia.
A alta ocorre em meio ao aumento das tensões em uma região estratégica para a produção e o transporte de petróleo e gás. Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Qualquer risco de interrupção nesse corredor logístico costuma provocar oscilações imediatas no preço da commodity.
Como o petróleo é a principal matéria-prima usada na produção de gasolina e diesel, variações no mercado internacional acabam influenciando o preço dos combustíveis em diversos países, inclusive no Brasil.
Impacto no Brasil
Mesmo com oscilações no mercado global, os reajustes no Brasil não ocorrem de forma imediata. Desde 2023, a Petrobras passou a adotar um modelo de preços que considera fatores como custos de produção, condições do mercado interno e cenário internacional, sem seguir automaticamente a política de paridade de importação.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio da gasolina no país subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30 entre a última semana de fevereiro e o início de março. No diesel, o valor passou de R$ 6,03 para R$ 6,08 no mesmo período.
Especialistas avaliam que, caso o petróleo permaneça em níveis elevados por mais tempo, os reajustes podem acabar chegando aos consumidores.
Por que o impacto pode ser maior no Amazonas
No Amazonas, o impacto pode ser ampliado por fatores logísticos e pela estrutura do setor de refino na região. A Refinaria de Manaus (Ream), antiga Refinaria Isaac Sabbá, foi privatizada em dezembro de 2022 e atualmente é controlada pelo Grupo Atem. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), a unidade deixou de refinar o petróleo extraído em Urucu, no interior do estado.
Com isso, o petróleo produzido na região passou a ser transportado por balsas até São Sebastião, em São Paulo, em uma viagem que pode durar entre 14 e 16 dias, para então ser processado em refinarias da Petrobras.
Entidades do setor afirmam que essa dinâmica aumenta custos logísticos e reduz a produção local de combustíveis. Dados citados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) indicam que a refinaria produzia cerca de 40 mil barris por dia entre 2020 e 2022, volume que caiu gradualmente até a interrupção das operações de refino.
Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, o cenário ajuda a explicar por que os combustíveis na região continuam entre os mais caros do país.
“A situação ameaça a viabilidade da base de Urucu, aumenta custos logísticos para a Petrobras e penaliza diretamente os consumidores da região, que pagam mais caro por gasolina e gás de cozinha apesar de viverem em um estado produtor de petróleo”, afirmou.
Alta surpreende motoristas em Manaus
Em Manaus, motoristas foram surpreendidos no último fim de semana com o aumento no preço da gasolina. Em diversos postos, o litro da gasolina comum passou de cerca de R$ 6,99 para até R$ 7,29, um aumento de aproximadamente 30 centavos em um único dia. Em alguns estabelecimentos, a gasolina aditivada chegou a R$ 7,49 por litro.
Diante da elevação repentina, o Instituto de Defesa do Consumidor do Amazonas (Procon-AM) iniciou nesta segunda-feira, 9, uma operação de fiscalização em postos da capital. Segundo o diretor-presidente do órgão, Jalil Fraxe, a ação busca verificar se os reajustes têm relação com os valores cobrados pelas distribuidoras.
“O aumento do combustível tem gerado uma preocupação enorme no Procon Amazonas. Por isso, já saímos nesta segunda-feira com as fiscalizações e estamos nas ruas fazendo o levantamento”, afirmou.
Diesel preocupa mais que gasolina
De acordo com o Procon, a principal preocupação é o impacto do diesel, combustível que movimenta praticamente toda a cadeia de abastecimento do Amazonas.
Grande parte dos produtos consumidos no estado depende do transporte por caminhões e balsas, que utilizam diesel. Qualquer aumento nesse combustível tende a elevar o custo do frete e, consequentemente, o preço final de alimentos e mercadorias.
“O que mais preocupa o Procon hoje é o diesel, porque todos os transportes sofrem influência dele. O alimento que chega na casa das pessoas é transportado por caminhões movidos a diesel. No interior do estado, as balsas também dependem desse combustível”, explicou Fraxe.
O gás de cozinha também entrou no radar da fiscalização após registros de aumento em alguns estabelecimentos. Segundo o órgão, os valores coletados nas bombas serão comparados com dados das distribuidoras e da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Caso seja identificada diferença sem justificativa, os postos poderão ser autuados.
Com Informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






