A Oi informou a venda de ativos da operação de serviços telefônicos à Método Telecomunicações e Comércio por R$ 60,1 milhões. O comunicado foi divulgado ao mercado na noite de quarta-feira (8).
A operadora, que está em recuperação judicial, recebeu proposta concorrente da Sercomtel no valor de R$ 60 milhões, com pagamento parcelado em dez vezes. A oferta da Método foi escolhida por prever pagamento à vista e por ter parecer favorável do Ministério Público do Rio de Janeiro, além de manifestações do administrador judicial, do observador judicial e do gestor judicial da companhia.
A operação envolve a alienação da Unidade Produtiva Isolada (UPI) de Serviços Telefônicos e ainda depende de aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A venda ocorre em meio a mudanças no setor de telefonia fixa, que também impactam a presença de telefones públicos no país.
Com o fim do regime de concessão, operadoras começaram a retirar os chamados orelhões das ruas. Segundo a Anatel, ainda existem cerca de 38,3 mil aparelhos em operação no Brasil. Em 2020, eram aproximadamente 200 mil, sendo 150 mil mantidos pela própria Oi.
A mudança foi viabilizada por legislação aprovada em 2019, que permitiu a migração do modelo de concessão para o regime de autorização. Com isso, as empresas deixaram de ser obrigadas a manter telefones públicos, exceto em locais sem alternativa de comunicação.
“O fim do regime de concessão retirou a obrigatoriedade de manutenção dos orelhões, exceto onde não há outro serviço disponível”, afirmou o presidente da Anatel, Carlos Baigorri.
Atualmente, cinco operadoras são responsáveis pelos telefones públicos: Vivo, Algar Telecom, Oi, Claro e Sercomtel.
A Vivo informou que iniciou a retirada dos aparelhos após migrar para o novo regime. Em São Paulo, onde mantém cerca de 28 mil unidades, a utilização caiu 93% nos últimos cinco anos.
A Algar também planeja desativar os equipamentos. Segundo a empresa, mais da metade dos 561 orelhões ativos registra menos de uma chamada por dia. Parte dos aparelhos está em manutenção, principalmente em Minas Gerais.
A Claro, que opera 1.772 unidades, e a Sercomtel, com 596 aparelhos no Paraná, também reduziram a presença dos telefones públicos.
A retirada acompanha o avanço da conectividade no país. Em 2024, 168 milhões de brasileiros com dez anos ou mais utilizaram a internet, o equivalente a 89,1% da população, segundo o IBGE. No mesmo período, 167,5 milhões tinham telefone celular para uso pessoal.
A mudança no setor marca a transição da telefonia fixa para serviços baseados em internet e redes móveis, com prioridade para banda larga e tecnologia 5G.
Com informações da Folha de São Paulo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






