Países organizam repatriação de cidadãos após fechamento do espaço aéreo no Oriente Médio

Voos fretados e operações emergenciais são mobilizados após escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel
Foto: Valentina Stefanelli/LaPresse via AP

Governos da Europa e dos Estados Unidos iniciaram operações para retirar cidadãos do Oriente Médio diante das restrições no espaço aéreo e do impacto nos voos comerciais após a escalada do conflito com o Irã.

O primeiro voo com cidadãos franceses pousou em Paris na manhã desta quarta-feira (4). A aeronave partiu de Mascate, em Omã, fez escala no Cairo, no Egito, e desembarcou no aeroporto Charles de Gaulle. Segundo a ministra responsável pelos Franceses no Exterior, Eleonore Caroit, cerca de 100 assentos foram reservados para pessoas em situação prioritária.

“Estamos focando em um grupo prioritário — famílias com crianças, pessoas afetadas por doenças, idosos. Nosso objetivo é ajudar a repatriar o mais rápido possível os franceses que desejam retornar”, disse à emissora TF1.

Outro voo com franceses que estavam em Israel e cruzaram a fronteira com o Egito deve chegar ainda nesta quarta-feira. O presidente Emmanuel Macron informou que cerca de 400 mil franceses estão na região afetada, entre residentes e pessoas em trânsito.

Estudantes evacuados de Dubai

Na Itália, estudantes retornaram a Milão após serem retirados de Dubai pelo governo italiano. Valerio Schiavoi, integrante do programa World Students Connection, relatou que participava de simulações diplomáticas da ONU quando recebeu a notícia dos ataques.

“E recebemos a notícia de que o Irã havia sido bombardeado pelos EUA e por Israel. Assim que saímos da sala, começamos a ouvir o som de aviões militares e outras coisas. E o pânico começou. Pela janela, podíamos ver mísseis passando e alarmes soando sem parar, mas não sabíamos o que fazer”, afirmou à agência LaPresse.

Orientações dos EUA e ações do Reino Unido

Os Estados Unidos orientaram seus cidadãos a deixarem imediatamente mais de uma dezena de países da região por meios comerciais disponíveis. A recomendação inclui Irã, Israel, Catar, Bahrein, Egito, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, territórios palestinos, Arábia Saudita, Síria, Emirados Árabes Unidos e Iêmen.

O governo britânico informou que um voo fretado partirá de Omã na noite desta quarta-feira para repatriar parte dos britânicos no Golfo. Passageiros considerados mais vulneráveis terão prioridade. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, mais de 130 mil britânicos registraram presença no Oriente Médio desde o início do conflito, embora nem todos pretendam sair. Muitos estão nos Emirados Árabes Unidos, e o governo desaconselhou deslocamentos por terra até Omã.

Voos comerciais e outras operações

Companhias aéreas começaram a retomar parte das operações. Etihad, Emirates e Virgin Atlantic programaram voos dos Emirados Árabes Unidos para Londres nesta quarta-feira.

Na Irlanda, a Emirates deve operar um voo de Dubai para Dublin. A ministra das Relações Exteriores, Helen McEntee, informou que o governo trabalha para auxiliar entre 22 mil e 23 mil irlandeses na região. Um voo fretado para cerca de 280 pessoas a partir de Omã está previsto para os próximos dias.

A Noruega anunciou o envio de uma equipe de emergência a Dubai para reforçar a embaixada no atendimento a cerca de 1.500 noruegueses registrados na cidade.

As restrições aéreas continuam afetando conexões internacionais e mantêm passageiros retidos enquanto os confrontos prosseguem.


Com informações da AP News*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus