Passagens aéreas sobem 31% no Brasil após alta do petróleo com guerra no Irã

Reajuste nas tarifas acompanha aumento do combustível e incerteza no mercado internacional

Os preços das passagens aéreas no Brasil subiram 31% desde o início de março, segundo levantamento do banco J. P. Morgan. O estudo considera tarifas das companhias Latam Airlines, Gol Linhas Aéreas e Azul Linhas Aéreas.

O aumento coincide com a escalada do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Na comparação anual, a alta nas tarifas chega a 22%.

Segundo analistas do banco, o movimento indica ajuste antecipado das companhias diante do aumento do custo do combustível. “Isso sugere que as companhias aéreas aumentaram as tarifas em antecipação à recente alta nos preços do combustível de aviação”, aponta o relatório.

No mercado brasileiro, há um intervalo médio de 45 dias entre a variação do preço do petróleo e o repasse às tarifas. Em apresentação de resultados, a Azul Linhas Aéreas informou que esse período permite ajustes operacionais e comerciais. “Essa defasagem cria um impacto mais gradual em nossas despesas com combustível, permitindo-nos ajustar preços, capacidade e gestão de receita”, informou a companhia.

A empresa também destacou que o prazo médio de pagamento do querosene de aviação pode chegar a 25 dias adicionais, o que amplia o tempo de adaptação ao aumento de custos. Ainda assim, o combustível representa cerca de 30% das despesas da companhia. Para compensar uma alta de 10% no querosene, seria necessário elevar em 2,5% a receita total.

A Petrobras reajustou em 55% o preço do querosene de aviação a partir de abril. O aumento foi aplicado às distribuidoras e será pago de forma escalonada, com 18% no primeiro mês e o restante parcelado em até seis vezes.

O governo federal anunciou medidas para conter a alta dos combustíveis, incluindo proposta de suspensão de tributos como PIS/Cofins sobre o querosene de aviação, possibilidade de adiamento de taxas aeroportuárias e oferta de crédito para companhias aéreas, com recursos próximos de R$ 9 bilhões.

No primeiro trimestre de 2026, as tarifas aéreas já haviam registrado aumento de 16% na comparação anual e de 12% em relação ao trimestre anterior. O levantamento indica queda nos preços para viagens de lazer e aumento nas tarifas voltadas ao segmento corporativo.

Entre as companhias analisadas, apenas a Latam Airlines possui estratégia relevante de proteção contra a variação do combustível, com cerca de 36% do consumo previsto para 2026 coberto por contratos de hedge.

A cotação do petróleo chegou a recuar após anúncio de cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã, confirmado por autoridades iranianas. Ainda assim, a instabilidade no mercado internacional mantém pressão sobre os custos do setor aéreo.


Com informações do O Globo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus