Pela primeira vez, rios da Amazônia têm fundo mapeado em 3D por órgão público

Levantamento usa tecnologia de alta precisão para apoiar gestão hídrica, infraestrutura e políticas ambientais

Pela primeira vez na história, o fundo dos rios da Amazônia foi mapeado em 3D por um órgão público, em uma operação que pode transformar o conhecimento sobre a hidrografia da maior bacia fluvial do planeta. A iniciativa foi liderada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, com apoio técnico e recursos federais.

Entre 28 de janeiro e 12 de fevereiro de 2026, equipes do SGB percorreram cerca de 1.550 quilômetros da Região Metropolitana de Manaus, avançando pelo Rio Solimões, para coletar dados detalhados do fundo dos rios amazônicos com tecnologia de ponta.

O trabalho utilizou um ecobatímetro multifeixe, equipamento comum em estudos oceânicos e agora aplicado para avaliação fluvial, capaz de enviar múltiplos feixes sonoros em direção ao leito do rio e medir com precisão suas profundidades e estruturas submersas,  como sedimentos, bancos de areia e eventuais estruturas como pontes ou cabos.

O mapeamento tridimensional cobriu cerca de 91 km² de área de rios, com profundidades registradas em até 120 metros, gerando um modelo detalhado que era até então inédito para rios amazônicos por um órgão público.

Segundo o gerente de hidrologia e gestão territorial da Superintendência Regional de Manaus, André Martinelli, essa tecnologia permitirá melhor compreensão da dinâmica fluvial, transporte de sedimentos e segurança da navegação na região, além de auxiliar na identificação e monitoramento de riscos, como erosão, assoreamento e possíveis interferências em estruturas estratégicas submersas.

Com os dados, será possível planejar rotas de navegação mais seguras e eficientes para quem utiliza o transporte fluvial. Outra vertente da pesquisa foi para avaliar a integridade de infraestruturas submersas (como cabos, tubulações e pilares de pontes) e apoiar políticas públicas de prevenção de desastres, proteção ambiental e uso sustentável dos recursos hídricos.

Relevância estratégica

A novidade chega em um momento de crescente demanda por informações detalhadas dos rios amazônicos, que enfrentam desafios relacionados a eventos climáticos extremos, como grandes cheias e secas, e sua influência no transporte, economia e vida das comunidades ribeirinhas.

Esse mapeamento em 3D amplia significativamente a capacidade do governo federal, por meio do SGB, de monitorar, proteger e planejar o uso dos principais rios da Bacia Amazônica, consolidando um passo inédito de inovação na gestão de recursos naturais da região.

Fonte: G1 Amazonas*
Assinatura: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Manaus