Pesquisa aponta que Brasil tem 29 povos indígenas isolados e destaca importância da proteção territorial

Pesquisa e dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas indicam que o Brasil concentra o maior número de povos indígenas isolados do mundo, com 29 grupos confirmados. A política de proteção se baseia no não contato e na preservação dos territórios onde essas populações vivem.

O Brasil reúne atualmente 29 povos indígenas isolados, a maior concentração desse tipo de população no mundo. Distribuídos principalmente na Amazônia Legal, esses grupos optam por evitar contato com a sociedade envolvente, decisão associada a experiências históricas de epidemias, violência e perda de territórios. A proteção dessas populações é conduzida pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), baseada na política de não contato.

Quem são os povos indígenas isolados

Os povos indígenas isolados são grupos que evitam manter contato com a sociedade externa e buscam preservar seus modos de vida tradicionais. Eles dependem diretamente da floresta para alimentação, abrigo e reprodução cultural, vivendo em áreas remotas da Amazônia.

Segundo especialistas da Funai, o isolamento geralmente não ocorre por desconhecimento da sociedade não indígena, mas por decisões tomadas após experiências traumáticas ao longo da história, como epidemias, conflitos e expulsões territoriais.

Maior concentração na Amazônia

A maior concentração desses povos está na região do Vale do Javari, área localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Entre os grupos mencionados em estudos e registros estão:

  • Korubo

  • Awá Guajá

  • Moxihatëtëa (Terra Indígena Yanomami)

  • Kawahiva do Rio Pardo

  • Piripkura

Algumas dessas populações tiveram contatos pontuais no passado, enquanto outras mantêm isolamento completo ou parcial.

Política do não contato

A atuação do Estado brasileiro na proteção desses povos segue o princípio do não contato, estratégia adotada após experiências anteriores de integração forçada que resultaram em graves impactos demográficos e culturais.

Nesse modelo, equipes da Funai monitoram indícios de presença indígena — como trilhas, roças e objetos — para comprovar a ocupação territorial e garantir a proteção das áreas, sem promover aproximação direta.

Casos conhecidos

Um dos casos mais conhecidos foi o do indígena Tanaru, conhecido como “índio do buraco”, que viveu sozinho por mais de duas décadas em Rondônia e morreu em 2022.

Outro exemplo citado em estudos é o dos Piripkura, etnia que sofreu forte redução populacional após conflitos e invasões territoriais, restando poucos sobreviventes.

Proteção territorial e preservação ambiental

Especialistas apontam que a principal medida de proteção aos povos isolados é a garantia de seus territórios. Áreas indígenas costumam apresentar índices menores de desmatamento em comparação com propriedades privadas.

Terras ocupadas por povos indígenas também desempenham papel importante na conservação da biodiversidade e no equilíbrio climático, contribuindo para a preservação de ecossistemas da Amazônia.

Monitoramento e desafios

Para assegurar a proteção desses territórios, equipes especializadas da Funai realizam expedições e monitoramentos periódicos. Em alguns casos, as ações contam com apoio de órgãos como o Ibama e forças de segurança.

Entre os desafios apontados estão invasões ilegais, desmatamento, garimpo e a necessidade de reconhecimento oficial das áreas ocupadas por grupos isolados.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.