Pesquisa nacional revela dificuldades de acesso a diagnóstico e terapias para pessoas autistas

O Mapa Autismo Brasil aponta que apenas 20,4% dos diagnósticos de transtorno do espectro autista (TEA) são feitos pelo SUS, e apenas 15,5% realizam terapias na rede pública, evidenciando barreiras de acesso a serviços de saúde no país.

Um levantamento inédito divulgado pelo Instituto Autismos nesta quinta-feira (9), o Mapa Autismo Brasil (MAB), mostra que o acesso ao diagnóstico e a terapias para pessoas autistas ainda é limitado no Brasil. A pesquisa ouviu mais de 23 mil participantes, incluindo autistas e responsáveis, revelando baixo acesso aos serviços públicos de saúde.

O estudo MAB foi realizado entre 29 de março e 20 de julho de 2025 e contou com 23.632 entrevistas online, abrangendo todos os estados brasileiros. Deste total, 16.807 eram responsáveis por pessoas autistas, 4.604 adultos autistas e 2.221 respondentes que se identificam como autistas e responsáveis.

Acesso ao diagnóstico e terapias
Segundo a pesquisa:

  • Apenas 20,4% dos diagnósticos de TEA foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
  • 55,2% dos diagnósticos foram feitos na rede privada e 23% por planos de saúde.
  • Apenas 15,5% dos entrevistados realizam terapias pelo SUS, enquanto 35,3% usam planos de saúde e 28,5% pagam particular.
  • 56,5% dos participantes realizam até duas horas semanais de terapia, abaixo do recomendado internacionalmente.

As terapias mais frequentes incluem psicoterapia (52,2%), terapia ocupacional (39,4%), fonoaudiologia (38,9%), psicopedagogia (30,8%) e terapia ABA (29,8%). Menos de 4% realizam estimulação precoce, e 16,4% não realizam nenhuma terapia.

Perfil sociodemográfico
O levantamento traçou o seguinte perfil do autista brasileiro:

  • 65,3% homens e 34,2% mulheres; 72,1% têm até 17 anos.
  • 60,8% são brancos, 32% pardos e 5,2% pretos.
  • 28,6% possuem renda familiar até R$ 2.862; 37,9% entre R$ 2.862 e R$ 9.540; 20,33% acima de R$ 9.540.
  • Quanto ao nível de suporte necessário: 53,7% nível 1, 33,7% nível 2 e 12,6% nível 3.

Entre os cuidadores, 92,4% são mães, e 55,2% possuem ensino superior ou pós-graduação. Cerca de 30,5% estão sem renda ou desempregados.

Educação e vida adulta

  • 83,7% frequentam instituições de ensino (52,26% públicas e 31% privadas).
  • 39,9% não recebem nenhum tipo de apoio educacional ou de acessibilidade.
  • Entre adultos, 29,9% estão desempregados ou sem renda; 21,1% são servidores públicos e 20% têm emprego formal com carteira assinada.

Conclusão do estudo
O Instituto Autismos destaca que a baixa carga horária semanal de terapias e o limitado acesso a especialistas evidenciam lacunas nos serviços públicos e privados, prejudicando intervenções precoces e a inclusão plena de pessoas autistas na educação e no mercado de trabalho.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.