A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta terça-feira (27), a Operação Mederi para investigar suspeitas de desvios de recursos públicos e fraudes em contratos da área da saúde em municípios do Rio Grande do Norte. Pelo menos seis prefeituras estão entre os alvos: Mossoró, Serra do Mel, Tibau, Paraú, São Miguel e José da Penha, todas localizadas na região Oeste do estado.
Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão nas cidades de Mossoró, Natal, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha. A operação mobilizou 163 policiais federais e cinco auditores da CGU. Além das buscas, a Justiça determinou medidas cautelares e patrimoniais contra investigados.
Segundo a PF, a investigação apura indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados. Auditorias da CGU apontaram falhas na execução contratual, com indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço.
Entre os alvos dos mandados está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). Ele negou irregularidades. De acordo com a defesa, o cumprimento da medida ocorre em fase investigativa e não há decisão judicial que atribua culpa. A prefeitura informou que o prefeito teve celular, notebook e HDs apreendidos e que, desde 2023, passou a utilizar o Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica (Hórus) como plataforma oficial de controle de estoque e dispensação de medicamentos, com fiscalização da Controladoria-Geral do município.
Além de Allyson Bezerra, também foram alvos de mandados o vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros (PSD), o prefeito de São Miguel, Leandro do Rego Lima (União), o prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP), além de secretários de José da Penha. A casa do irmão do prefeito de São Miguel também foi alvo de buscas.
Durante a operação, um empresário de Serra do Mel foi conduzido em flagrante à Polícia Civil por posse ilegal de arma de fogo. A PF também informou que apreendeu dinheiro na casa de um dos sócios de uma empresa investigada, mas o valor não foi divulgado.
Segundo informações da TV Globo, a Justiça determinou medidas cautelares contra empresários, incluindo pagamento de fiança e uso de tornozeleira eletrônica por sócios e funcionários das empresas investigadas.
Em nota, a Prefeitura de José da Penha afirmou que manteve contratos com a empresa investigada entre 2023 e 2025 e que a PF cumpriu mandados nas casas dos secretários de Planejamento e Saúde e do pregoeiro do município, com apreensão apenas de aparelhos celulares. A gestão informou ainda que irá encaminhar à PF cópia dos contratos em até 30 horas e que investigações envolvendo fornecedores atingem todos os municípios que mantiveram vínculo contratual com as empresas.
Os demais municípios citados não se manifestaram até a última atualização desta reportagem.
Os investigados poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas.
Como informações do G1 e Agência Brasil*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






