Um novo plano voltado à conservação preventiva do Centro Histórico de Manaus começou a ser estruturado nesta quinta-feira, 5, com foco em ações simples e de baixo custo para conter a deterioração das construções históricas. A iniciativa prioriza a capacitação de moradores e usuários da região, apostando na prevenção como alternativa às grandes intervenções estruturais.
A proposta foi apresentada ao público no Palacete Provincial e abrange toda a área tombada do Centro Histórico, desde a região portuária até pontos simbólicos como a avenida Eduardo Ribeiro, o chamado “bate-palma” e o complexo do Largo de São Sebastião.
A ideia é criar um programa permanente de preservação, baseado em cuidados rotineiros capazes de evitar o avanço dos danos. Segundo a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Amazonas, Beatriz Calheiro, o plano passa agora por uma fase de construção coletiva.
“A gente quer que isso seja uma forma simplificada de dizer aquilo que é possível ser feito, sem abrir mão do que é responsabilidade e atribuição dos proprietários e do poder público”, afirmou.
O processo de elaboração deve durar até quatro meses. Ao final, será produzido um manual com estratégias, práticas e técnicas de conservação, que deverá ser disponibilizado ao público de forma acessível.
Nesta etapa inicial, cerca de 40 parceiros participam das discussões, entre eles universidades e instituições locais. O gerenciamento técnico envolve o Iphan e a empresa Sarasá, mas o foco central do trabalho é a participação da população que vive no Centro Histórico. Para o conservador e restaurador Antônio Sarasá, o envolvimento da comunidade é essencial porque os moradores também fazem parte da história das edificações.
“O tijolo não tem só dimensão, tem também o suor e o sangue da comunidade. Os antigos faziam isso. Vamos lembrar disso para que as pessoas se empoderem e comecem a trabalhar com aquilo que é delas”, destacou.
Moradores e representantes de espaços culturais já participam das discussões. João Fernandes, diretor do Casarão de Ideias, avalia que a preservação do Centro Histórico também pode gerar reflexos econômicos positivos.
“Todos os esforços para o centro são urgentes e necessários. Vai vir mais gente, mais fluxo, e precisamos estar preparados. Uma casa pode virar café, restaurante. Economicamente, isso mobiliza quem entende como valorizar seu patrimônio”, afirmou.
A expectativa é que o plano contribua para preservar o Centro Histórico de Manaus conciliando conservação, uso cotidiano e valorização cultural da região.
Com Informações do Portal A Crítica
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






