A poeira do Deserto do Saara chega à Amazônia todos os anos, transportada por correntes atmosféricas que cruzam o Oceano Atlântico. No entanto, segundo especialistas, as partículas são microscópicas e não podem ser vistas a olho nu.
Nos últimos dias, moradores do Amapá e de Boa Vista relataram nas redes sociais a presença de uma “nuvem de poeira” no céu. De acordo com o meteorologista do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), o fenômeno observado não se trata da poeira africana, mas sim de neblina.
“A neblina ocorre por causa da alta umidade relativa do ar e da baixa temperatura. A poeira do Saara sempre chega, mas em quantidade muito pequena, imperceptível ao ser humano”, explicou.
Como a poeira chega à Amazônia
O transporte das partículas é mais intenso durante o verão do hemisfério sul, quando a Zona de Convergência Intertropical se desloca para o sul da linha do Equador. Nesse período, os ventos alísios — que sopram de leste para oeste — carregam a chamada “pluma” de poeira a grandes altitudes, formando verdadeiros corredores atmosféricos visíveis por satélite.
As partículas percorrem mais de 5 mil quilômetros desde o deserto africano até a bacia amazônica. Estimativas indicam que cerca de 27 milhões de toneladas de poeira atinjam a região todos os anos.
Quando chegam à floresta, esses sedimentos se depositam de duas formas:
- Deposição seca, quando as partículas se assentam sobre as copas das árvores;
- Deposição úmida, quando são trazidas ao solo pelas chuvas frequentes da região.
Impactos ambientais
Apesar de poder provocar alterações temporárias na qualidade do ar em pequena escala, a poeira do Saara desempenha papel relevante no equilíbrio ambiental. Rica em fósforo e ferro, ela contribui para a fertilização natural do solo amazônico.
Especialistas destacam que as partículas são chamadas de higroscópicas, pois auxiliam na formação de nuvens de chuva. Ainda assim, não formam nuvens densas visíveis como as registradas em regiões desérticas.
Modelos meteorológicos indicam a presença dessas partículas na atmosfera, mas sua identificação depende de sensores específicos. O aspecto esbranquiçado ou acinzentado observado recentemente no céu da região Norte está relacionado principalmente à combinação de alta umidade e queda de temperatura, características típicas da formação de neblina.
Com Informações do G1
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






