A Polícia Civil de Santa Catarina afirmou, em coletiva realizada na quarta-feira (4), que o cão Orelha continuou andando após as agressões sofridas, antes de morrer dias depois. A declaração rebate argumento da defesa de um dos adolescentes investigados por maus-tratos.
A contestação se refere a um vídeo que mostra o animal caminhando na Praia Brava, em Florianópolis, horas após o horário apontado como o momento das agressões. Para a defesa, as imagens enfraqueceriam as provas do caso.
Segundo a polícia, o vídeo realmente mostra o cachorro, mas não contradiz a investigação. A corporação afirma que, desde o início, informou que o animal não morreu no momento das agressões, mas em decorrência da evolução das lesões.
De acordo com os investigadores, Orelha foi levado ferido a um médico veterinário no dia 5, um dia após o crime. O estado de saúde se agravou nos dias seguintes. Laudo da Polícia Científica concluiu que a causa da morte foi uma pancada contundente na cabeça.
Vídeo e horário das agressões
As imagens analisadas mostram o cachorro mexendo no lixo por volta das 7h da manhã. As agressões, conforme a apuração, teriam ocorrido às 5h30 do mesmo dia.
Para a polícia, o registro confirma que o animal ainda estava vivo após o ataque, o que já havia sido informado durante as investigações.
Contradições no depoimento
Um dos adolescentes suspeitos saiu de seu condomínio às 5h24 do dia 4 de janeiro e retornou às 5h58, acompanhado por uma amiga, segundo imagens obtidas pelos investigadores.
Em depoimento, ele afirmou que permaneceu na área da piscina durante o período. A polícia informou que o jovem desconhecia a existência das gravações.
Além dos vídeos, testemunhas e outros elementos indicaram que ele esteve fora do condomínio no horário das agressões.
Viagem e apreensão de objetos
No mesmo dia em que os suspeitos foram identificados, o adolescente viajou para fora do país e permaneceu nos Estados Unidos até 29 de janeiro. Ao retornar, foi abordado no aeroporto.
Segundo a polícia, um familiar tentou esconder um boné rosa e um moletom usados no dia do crime. O parente afirmou que a peça havia sido comprada na viagem, mas o adolescente confirmou que já a possuía.
Investigação por coação
Durante o andamento do caso, a Polícia Civil abriu um novo inquérito para apurar suposta coação contra o porteiro do condomínio, que é testemunha.
Três pessoas, entre elas pais e um tio de suspeitos, foram indiciadas. A defesa nega coação e afirma que houve apenas uma conversa para tratar de possíveis conflitos.
Os advogados sustentam que, à época, o caso ainda não tinha repercussão e que o diálogo não estaria relacionado à investigação.
Inquérito concluído
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de Orelha. A apuração também incluiu a tentativa de afogamento de outro cachorro, chamado Caramelo, que conseguiu escapar.
Diante dos fatos, a corporação solicitou à Justiça a internação de um dos adolescentes, medida socioeducativa equivalente à prisão no sistema adulto.
Com informações da CNN*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






