Uma decisão internacional aprovada no fim de 2025 deve reforçar o combate ao tráfico de aves silvestres e reduzir o risco de extinção de espécies ameaçadas. A partir de 5 de março, ficará proibido o comércio internacional de aves retiradas da natureza pertencentes a espécies incluídas em nova lista de proteção da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES).
Entre as espécies diretamente afetadas está o bicudo (Sporophila maximiliani), ave conhecida pelo canto valorizado e considerada criticamente ameaçada. A decisão foi tomada durante a 20ª Conferência das Partes da Cites, realizada em dezembro, em Samarkand, no Uzbequistão, e busca frear a captura ilegal que alimenta o mercado de animais de estimação e competições de canto.
Embora a captura de aves silvestres seja proibida no Brasil desde 1967, a prática ainda é permitida em alguns países da América do Sul e Central, o que mantém ativa a rota do tráfico internacional. Segundo a analista ambiental do Ibama, Júlia Damo, essa exploração segue como a principal ameaça às espécies.
“A principal ameaça a essas espécies é o comércio ilegal para o mercado de animais de estimação e para competições de canto”, afirmou.
Pesquisas indicam que restam, no máximo, cerca de 3 mil bicudos adultos vivendo em liberdade em todo o planeta. No Brasil, as estimativas são ainda mais críticas, com aproximadamente 100 indivíduos maduros na natureza.
Além do bicudo, outras cinco espécies do gênero Sporophila passarão a ter proteção reforçada por apresentarem características semelhantes, especialmente entre as fêmeas, o que dificulta a identificação e favorece a captura ilegal. Entre elas estão o curió, o bicudo-de-bico-preto e o papa-capim-de-bico-grosso.
Essas aves serão incluídas no Anexo 2 da Cites, que permite o comércio internacional apenas quando houver comprovação de origem legal e sustentável. A medida busca evitar a chamada “lavagem” de animais no mercado internacional.
“A inclusão dessas espécies no apêndice da Cites é fundamental para impedir a identificação incorreta e o comércio irregular”, explicou Júlia Damo.
Segundo a analista, a cooperação entre os países é essencial para conter o tráfico e garantir a sobrevivência das espécies.
“A cooperação internacional é hoje a única forma de assegurar que essas aves continuem existindo na natureza”, concluiu.
Com Informações do Ibama
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






