Projeto transforma talento em renda e fortalece empreendedorismo de mulheres migrantes na Amazônia

Iniciativa Mujeres Fuertes já capacitou mais de 600 refugiadas e migrantes em Manaus e Boa Vista, com foco em gastronomia e autonomia financeira

Capacitar mulheres refugiadas e migrantes para o empreendedorismo no ramo da gastronomia tem sido o foco do Mujeres Fuertes, projeto desenvolvido pelo Instituto Hermanitos desde 2022. A iniciativa já beneficiou cerca de 644 participantes em Manaus (AM) e Boa Vista (RR), impactando diretamente mulheres chefes de família e mães solo que buscam independência financeira.

Somente no último ano, aproximadamente 200 mulheres de diferentes nacionalidades participaram da jornada de capacitação, que tem duração média de seis meses. Durante o período, as participantes têm acesso a cursos, oficinas e palestras sobre temas como construção de marca, formalização de negócios, vendas, educação financeira, marketing digital, captação de clientes e língua portuguesa, além de atividades de empoderamento feminino e apoio psicossocial.

De acordo com a coordenação do projeto, a proposta é oferecer uma formação completa, aliando qualificação técnica ao fortalecimento emocional.

“Elas deixam seus países de origem em busca de uma vida melhor. Muitas já chegam com espírito empreendedor, mas enfrentam barreiras como o idioma, a falta de recursos, rede de contatos reduzida e até situações de xenofobia”, explica a coordenadora do projeto.

O impacto da iniciativa também foi reconhecido nacionalmente. Em 2024, o Mujeres Fuertes venceu o Prêmio do Conselho Nacional do Ministério Público, na categoria “Transversalidade dos Direitos Fundamentais”, em reconhecimento às ações voltadas à equidade de gênero e à promoção dos direitos humanos de mulheres refugiadas e migrantes.

Em Manaus, o projeto trabalhou com a 7ª, 8ª e 9ª turmas, beneficiando 150 mulheres. Já em Boa Vista, a 4ª edição atende 50 participantes, entre elas mulheres indígenas e abrigadas. Uma das alunas, Yizzell Mejias, que concluiu recentemente o curso de gastronomia, destaca os aprendizados levados para o próprio negócio.

“Estamos aprendendo técnicas para a cozinha e para o dia a dia, além de empatia e convivência. Isso faz diferença tanto no trabalho quanto na vida”, relatou.

Segundo o Instituto Hermanitos, os resultados vão além das participantes diretas. Ao todo, mais de 2.200 pessoas foram impactadas indiretamente pelo projeto nas duas capitais, incluindo familiares e comunidades.

“A transformação não fica restrita às alunas. Ela se espalha para as famílias, promovendo autonomia financeira, segurança e dignidade”, afirmou a direção da instituição.

 

Com Informações do Instituto Hermanitos

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus