Há entrevistas que não passam pelo estúdio, elas atravessam a gente.
A conversa que tivemos no De Olho na Cidade, programa que apresento ao lado do jornalista Jackson Nascimento, foi assim. E posso até apostar que foi do tamanho da Amazônia: Continental.
Recebemos a doutora em Agronomia Tropical Fabiana Rocha, que está à frente da gestão do Centro de Bioeconomia da Amazônia (CBA), e, mais do que apresentar projetos, ela abriu uma janela para o que a Amazônia pode ser e tem como vocação: a ciência, inovação e gente se encontram no mesmo espaço para revelar ao que vieram.
Entrevistar mulheres apaixonadas pela Amazônia renova a nossa alma e amor que temos pela Amazônia. Esse sorrisão ao lado revela o tamanho do amor e comprometimento com os povos do Norte.
Talvez você já tenha ouvido falar do CBA, mas nunca tenha entendido exatamente o que ele é. E isso é mais comum do que parece para nós que moramos em Manaus
O CBA é um centro que conecta pesquisa, inovação, startups, economia criativa e indústria, tudo isso tendo a floresta amazônica como ponto de partida. Não como discurso, mas como matéria prima, como insumo real, vivo, transformável, possível, viável.
Fabiana explicou algo que, para mim, resume bem o espírito do CBA hoje: trazer a economia criativa para dentro da Amazônia, criando novas possibilidades para transformar nossos produtos em algo que as pessoas consigam tocar, usar, vestir, sentir e curar. Cosméticos, alimentos, arte, tecnologia, impressão 3D, reciclagem um local de expnsão da Amazônia para fora do Brasil.. Tudo isso feito a partir de insumos amazônicos, com ciência aplicada e mercado em mente.
Durante a entrevista, vimos exemplos concretos disso. Empresas incubadas, parcerias com o CIDE, startups como a Biosel, que criou uma spin-off dentro do próprio CBA, a Manur, trabalhando com vinagre a partir do açúcar. Projetos que começam pequenos, testados, ajustados, melhorados e que ganham corpo quando encontram o ambiente certo para crescer.
Fabiana falou com brilho nos olhos da Darvury, uma startup que saiu da Amazônia, foi para São Paulo e agora está voltando para casa. Voltando porque precisa da floresta, dos insumos amazônicos, das conexões locais, dos braços que transformam os saberes ancestrais em fonte de renda. Hoje, a empresa atua dentro do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPB), com produção instalada dentro do CBA e produtos voltados ao cuidado com a pele, feitos com copaíba, andiroba, murumuru, buriti.
Ao longo das minhas mais de três décadas no jornalismo da região Norte do Brasil, o que mais me encanta noticiar é a tecnologia de ponta que nasce impregnada do cheiro da floresta amazônica.
E é aqui que o diálogo com você, leitor, fica mais direto, fica ao pé do ouvido: a Amazônia não carece de ideias. O que falta são caminhos organizados para que essas ideias cheguem ao mercado, que os produtos gerados usufruam do mercado internacional e que nasça uma nova indústria: a Indústria da cura com os produtos oriundos da Amazônia. Falta estrutura, incentivo financeiro, curadoria.
Fabiana foi muito clara ao dizer que nem sempre o problema é a vontade de fazer, mas o momento certo de investir.
Algumas empresas sabem que precisam amadurecer antes de escalar, e isso também é inteligência e prudência.
O que me marcou na conversa é o qianda me marca há décadas: foi ouvir que muitos desses negócios carregam conhecimento ancestral e que ainda ficam perdidos no tempo. Gente que aprendeu com o avô, com o pai, com a mãe, com a comunidade indígena ou ribeirinha. E que, conscientemente, escolhe manter uma produção manual no início para valorizar esse saber antes de pensar em escala. Isso é Amazônia pura, real, sem mascarar, sem usar nomes para dizer ser amazônida. Isso é bioeconomia com identidade e sem camadas.
Fabiana também falou da transformação do próprio CBA. Durante anos, ele foi visto como um “elefante branco”.
Hoje, é um espaço vivo, com portas abertas, eventos constantes, gente circulando do Iranduba, de Tefé, do Tocantins, da UFAM, da UEA, do MDIC, da Finep. O programa CBA Open é isso: portas abertas. Todo dia tem algo acontecendo.
E talvez a palavra que melhor define esse momento seja curadoria, como citei acima. Entender quem entra, por que entra, como entra e para onde quer ir. Economia criativa, música, vestimenta, cosméticos, turismo, ecoturismo de verdade. A Amazônia como um único território criativo, diverso, potente e possível.
Eventos futuros e oportunidades

Anota aí: 28 de fevereiro. Nesse dia, o pessoal da economia criativa estará dentro do CBA apresentando, de forma concreta, aquilo que já está pronto para funcionar. Será um evento que você não pode perder e vamos anunciar por aqui também. A Jovem Pan News Manaus estará lá, produzindo conteúdo local e com alcance nacional. Porque mostrar a Amazônia também é uma forma de protegê-la e contribuir com a informação.
E, para fechar, Fabiana trouxe um exemplo que transforma discurso em prática: a Creaturai, empresa que trabalha com impressão 3D a partir de resíduos. Falou também, com exclusividade, que: no mês de julho, após o Festival de Parintins, a ideia é reciclar resíduos ali mesmo, em tempo real, e transformá-los em novos produtos. Sustentabilidade aplicada. Bioeconomia acontecendo diante dos nossos olhos.
A Amazônia não é promessa futura. Ela sempre produziu e continua produzindo, inovando, criando e sutentando. O que precisamos é aproximar essas histórias das pessoas, popularizar o conhecimento, abrir portas para sonhos que sempre existiram, mas que agora encontram espaço para expandir.
O CBA é uma dessas portas. E a Amazônia, definitivamente, sabe muito bem o que fazer quando alguém decide abri-las.
Por mais ações concretas para quem é do Norte.
Acesse a entrevista na integra em nossas redes sociais ou no YouTube da @jpnewsmanaus , programa De Olho na Cidade.
Fotos e gravação da entrevista, Érick Orteipp.
Por Tatiana Sobreira, coluna Soul do Norte






