A população de peixes migratórios de água doce caiu 81% desde 1970, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (24) pela Organização das Nações Unidas. O levantamento indica que essas espécies estão entre as mais ameaçadas, com redução mais rápida do que a observada em animais terrestres e marinhos.
Entre os chamados megapeixes, o recuo chega a 94%. O estudo foi elaborado pela Convenção sobre Espécies Migratórias em parceria com a WWF e a Universidade de Nevada, Reno, e é apresentado durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, em Campo Grande (MS).
Espécies e distribuição geográfica
O levantamento identificou 349 espécies de peixes migratórios de água doce que atravessam fronteiras e necessitam de proteção internacional. Destas, apenas 24 estão incluídas nas listas da convenção.
Outras 325 espécies ainda não contam com proteção formal. A maior parte está na Ásia, com 205 espécies concentradas na bacia do Rio Mekong. A América do Sul reúne 55 espécies, com destaque para as bacias dos rios Rio Amazonas e Rio da Prata.
Causas da redução
O relatório aponta que a interrupção das rotas migratórias está entre os principais fatores da queda populacional. Essas espécies dependem de longos percursos entre áreas de alimentação, desova e reprodução.
Entre as pressões identificadas estão construção de barragens, alterações no fluxo dos rios, poluição, pesca excessiva, degradação de habitats e mudanças climáticas. A fragmentação dos rios compromete a sobrevivência das espécies.
Impacto econômico e alimentar
Os peixes de água doce têm papel relevante na alimentação e na economia de diferentes regiões. Na bacia do Mekong, a pesca responde por cerca de 15% da produção mundial de peixes de água doce, com valor anual superior a US$ 11 bilhões.
Na Amazônia, essas espécies representam mais de 90% da captura para consumo, com impacto econômico estimado em US$ 436 milhões por ano.
Espécies da Amazônia e medidas propostas
O estudo identificou 21 espécies migratórias na bacia amazônica que atravessam países e podem se beneficiar de ações coordenadas. Entre elas estão o tambaqui e a dourada.
A dourada realiza deslocamentos de até 11 mil quilômetros ao longo do ciclo de vida. Já o tambaqui migra conforme o regime de cheias dos rios e depende da conexão entre canais, planícies inundadas e florestas alagadas.
O relatório propõe medidas como harmonização de períodos de defeso, proteção de áreas de alimentação e compartilhamento de dados entre países.
Propostas e ações em discussão
A dourada integra iniciativas de proteção no Plano de Ação Multiespécies para o Bagre Migratório Amazônico, que estabelece diretrizes para conservação na próxima década.
O Brasil também propôs a inclusão do pintado na lista da convenção, com foco na bacia do Rio da Prata, onde a espécie enfrenta impactos de barragens, mudanças no fluxo e pesca.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






