Reforma trabalhista de Milei avança em meio a greve geral e protestos na Argentina

Projeto retorna ao Senado após alterações

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na madrugada desta sexta-feira, a reforma trabalhista defendida pelo presidente Javier Milei. A votação ocorreu após mais de dez horas de sessão e foi acompanhada por protestos em frente ao Congresso, que terminaram com ao menos 10 pessoas presas em Buenos Aires.

A proposta recebeu 135 votos favoráveis e 115 contrários. Como o texto já havia passado pelo Senado da Argentina com modificações, a matéria retornará para nova análise dos senadores antes de seguir para promulgação.

Do lado de fora do Palácio Legislativo, manifestantes se concentraram na Praça do Congresso durante a votação. De acordo com informações divulgadas pela imprensa local, os distúrbios começaram por volta das 18h. Parte dos manifestantes derrubou trechos de uma grade metálica que separava a praça do prédio do Congresso. Após o lançamento de garrafas e pedras contra o cordão policial, agentes avançaram utilizando motos, cães, balas de borracha, gás lacrimogêneo e jatos d’água.

Segundo o jornal Clarín, quatro pessoas foram presas pela Polícia Federal durante os confrontos, enquanto a Polícia da Cidade deteve outros três homens. Outras cinco prisões foram registradas sob suspeita de roubo.

A aprovação ocorreu no mesmo dia em que sindicatos realizaram uma greve geral de 24 horas contra a reforma.
Convocada pela Confederação Argentina de Trabalhadores, a paralisação foi amplamente aderida por categorias profissionais. Linhas de ônibus que mantiveram operação circularam com poucos passageiros, e redes de supermercados, farmácias e outros comércios permaneceram fechados.

Estações de trem e pontos de transporte coletivo tiveram movimento reduzido, enquanto o tráfego de veículos particulares foi considerado acima do habitual.

A central sindical classifica a proposta como “regressiva e inconstitucional”. Entre as mudanças previstas estão a redução de indenizações trabalhistas, a possibilidade de ampliação da jornada para até 12 horas e restrições ao direito de greve.

O governo argumenta que a reforma pode contribuir para diminuir a informalidade, que atinge mais de 40% do mercado de trabalho argentino, e estimular a criação de empregos por meio da redução de encargos sobre empregadores.

De acordo com a Confederação, desde o início do mandato de Milei foram fechados cerca de 120 mil postos de trabalho em empresas privadas, aproximadamente 80 mil em órgãos públicos e 25 mil em residências particulares. O governo não comentou esses números durante a votação.

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: EFE/Sergio Pérez