Entidades que representam distribuidoras, refinarias, importadoras e postos de combustíveis divulgaram, nesta sexta-feira, 20, um alerta sobre o risco de desabastecimento de diesel no país e cobraram novas medidas do governo federal.
A manifestação foi assinada por organizações do setor, que reconhecem a tentativa do governo de conter a alta do combustível, mas avaliam que os efeitos ainda não chegaram ao consumidor.
“Os instrumentos têm relevância, mas seus efeitos no preço final dependem de toda a cadeia de formação do diesel”, diz a nota conjunta.
Na semana passada, o governo anunciou a isenção de impostos federais e a concessão de subsídios para reduzir o preço do diesel. A estimativa é de um impacto de R$ 0,64 por litro, com custo de R$ 30 bilhões aos cofres públicos.
Apesar disso, o setor afirma que o desconto não tem sido percebido nos postos. Um dos motivos é a composição do combustível: o consumidor compra o diesel “B”, que mistura diesel fóssil e biodiesel, o que dilui o efeito das medidas.
Além disso, o aumento recente no preço do diesel vendido pelas refinarias também influencia o valor final. Segundo as entidades, a alta anunciada pela Petrobras acaba sendo parcialmente repassada ao consumidor.
Outro ponto levantado é a diferença de preços no mercado. Em alguns leilões, o diesel tem sido comercializado acima dos valores de referência, o que pressiona ainda mais a cadeia. As entidades também destacam que parte do abastecimento nacional depende de importações e de refinarias privadas, que seguem os preços internacionais do petróleo.
“O cenário exige medidas urgentes para evitar o agravamento do risco de desabastecimento”, alertam.
A pressão sobre o diesel ocorre em meio à escalada do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada por conflitos no Oriente Médio. O barril saltou de cerca de 60 dólares no início do ano para mais de 100 dólares nas últimas semanas.
Esse aumento impacta diretamente o Brasil, já que o combustível é essencial para o transporte de cargas. Com isso, a alta do diesel tende a refletir no custo de alimentos, produtos industriais e serviços. Segundo especialistas, o efeito pode chegar também à inflação.
“O aumento do diesel deve se espalhar ao longo dos próximos meses, com impacto indireto na economia”, afirmou o economista Fábio Romão.
Com Informações do G1
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






