O governo da Rússia determinou o bloqueio do WhatsApp no país, ampliando as restrições a aplicativos de mensagens. A medida faz parte da política do Kremlin de reforçar o controle sobre plataformas digitais estrangeiras.
Em comunicado, o WhatsApp, pertencente à Meta, informou que a decisão pode forçar mais de 100 milhões de usuários russos a migrar para um aplicativo estatal. A empresa afirmou que a iniciativa favorece o uso de plataformas sob monitoramento governamental.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou à BBC que o bloqueio ocorreu devido à falta de cumprimento das leis russas por parte da Meta. Segundo ele, a empresa poderá retomar as operações no país caso se adeque às normas e estabeleça diálogo com as autoridades.
Questionado sobre a possível pressão para o uso do aplicativo estatal Max, desenvolvido pelo governo, Peskov afirmou que o “mensageiro nacional” é uma alternativa disponível para a população.
Nesta semana, a Roskomnadzor, agência reguladora de internet da Rússia, anunciou que também irá restringir o acesso ao Telegram, alegando falhas de segurança. A plataforma é amplamente utilizada no país, inclusive pelas forças armadas russas na guerra na Ucrânia. Blogueiros pró-guerra relataram prejuízos nas comunicações em campo após as restrições.
Antes mesmo da invasão da Ucrânia, em 2022, o governo russo já desenvolvia projetos para criar uma rede doméstica alternativa à internet global. Essas iniciativas se intensificaram durante o conflito, junto com o fortalecimento do aplicativo estatal Max.
Críticos apontam que o Max pode ser utilizado para vigilância. A mídia estatal nega a acusação. O aplicativo vem sendo promovido por meio de campanhas em televisão, outdoors e ações de governos locais.
As autoridades russas alegam que o WhatsApp e o Telegram se recusam a armazenar dados de usuários em servidores localizados no país, como exige a legislação. O governo também afirma que o WhatsApp é utilizado em golpes e extorsões, argumento usado para incentivar a migração ao Max.
Em nota, o WhatsApp declarou que busca manter os usuários conectados. “Tentar isolar mais de 100 milhões de pessoas da comunicação privada e segura é um retrocesso e pode resultar em menos segurança”, informou a empresa.
No início do ano, a agência estatal Tass informou que o WhatsApp poderá ser bloqueado de forma permanente na Rússia a partir de 2026. O deputado Andrei Svintsov afirmou que medidas rígidas são justificadas, já que a Meta foi classificada como organização extremista em 2022.
Desde essa classificação, plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, estão bloqueadas no país e só podem ser acessadas por meio de redes privadas virtuais (VPNs). O uso dessas ferramentas, no entanto, não é proibido.
O projeto de direitos digitais Na Svyazi informou que o governo vem retirando sites do Sistema Nacional de Nomes de Domínio (NSDI), controlado pela Roskomnadzor. Segundo a entidade, ao menos 13 serviços, incluindo YouTube, Facebook, WhatsApp Web, Instagram, BBC e Deutsche Welle, foram removidos, passando a exigir VPN para acesso.
Com informações da BBC*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






