Saiba quem são os principais investigados na apuração do Banco Master

Operação Compliance Zero apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro e atinge executivos ligados ao conglomerado controlado por Daniel Vorcaro
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Polícia Federal ampliou nas últimas semanas a investigação sobre o Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, e passou a alcançar empresários e executivos ligados ao entorno do conglomerado. O inquérito se desdobra em diferentes frentes e apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.

No centro da investigação está Vorcaro, preso em 18 de novembro durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Ele é apontado pela PF como líder de um grupo que teria articulado, em 2025, a venda de carteiras de crédito consideradas falsas ao Banco de Brasília (BRB), em uma operação estimada em R$ 12,2 bilhões. A defesa nega irregularidades e afirma que as tratativas não avançaram para transferência definitiva de ativos.

A segunda fase da operação, deflagrada em 14 de janeiro, ampliou o alcance das apurações e incluiu pessoas próximas ao banqueiro. Entre os alvos estão o empresário e pastor Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, o empresário Nelson Tanure e o executivo João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos. Houve cumprimento de mandados de busca e apreensão, além de prisões temporárias, posteriormente revogadas.

Segundo estimativas preliminares citadas por investigadores, a eventual quebra do Banco Master e do Will Bank, ambos ligados ao conglomerado de Vorcaro, pode gerar impacto de até R$ 47 bilhões no mercado financeiro brasileiro.

Daniel Bueno Vorcaro

Natural de Belo Horizonte, Daniel Vorcaro, de 42 anos, assumiu em 2017 o controle do então Banco Máxima, que enfrentava restrições do Banco Central, e rebatizou a instituição como Banco Master. A partir daí, adotou uma estratégia de expansão baseada na compra de ativos de empresas em dificuldades e na captação de recursos por meio da emissão de CDBs com remuneração acima da média do mercado.

Em depoimento à PF, Vorcaro afirmou que o modelo de negócios estava baseado na cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e que operava dentro das regras vigentes. Ele foi preso quando tentava embarcar em um voo para Dubai, mas obteve liberdade provisória por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e passou a usar tornozeleira eletrônica.

A PF também apreendeu bens avaliados em cerca de R$ 230 milhões, incluindo obras de arte, joias e dinheiro em espécie. O banqueiro manteve contratos com escritórios de advocacia ligados a ministros e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal e é citado como próximo de lideranças políticas de diferentes partidos. Em depoimento, negou que essas relações tenham influenciado seus negócios.

Fabiano Campos Zettel

Fabiano Campos Zettel, de 50 anos, é empresário do setor de investimentos e pastor evangélico. Ele é fundador da Moriah Asset e cunhado de Vorcaro. Foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos durante a segunda fase da operação, quando se preparava para viajar ao exterior, e liberado no mesmo dia.

A decisão judicial que autorizou sua prisão não detalhou os crimes atribuídos, mas mencionou suspeitas de envolvimento em práticas contra o Sistema Financeiro Nacional. Zettel ganhou projeção nacional em 2022 ao figurar entre os maiores doadores de campanhas eleitorais, com repasses que somaram R$ 5 milhões.

Em nota, sua defesa afirmou que ele exerce atividades empresariais lícitas e sem relação com a gestão do Banco Master.

João Carlos Mansur

Fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur foi alvo de buscas na segunda fase da Compliance Zero, mas não chegou a ser preso. Um dia após a operação, o Banco Central decretou a liquidação da Reag, que passou a se chamar CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

As investigações indicam que a gestora teria sido usada para movimentações financeiras atípicas em benefício do Banco Master, com indícios de fraudes e lavagem de dinheiro. A empresa nega irregularidades. Mansur deixou o cargo de executivo em setembro de 2025.

Ele também foi citado em investigações da Operação Quasar, que apura a atuação da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado ilegal de combustíveis.

Nelson Tanure

Nelson Tanure, de 74 anos, é empresário com atuação no setor financeiro e participações em empresas como Light, Prio e Gafisa. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo informações encaminhadas pela Procuradoria-Geral da República ao STF, Tanure é investigado por suspeita de atuar como “sócio oculto” nos negócios de Vorcaro com o Banco Master, por meio de estruturas societárias e fundos de investimento. A defesa nega qualquer vínculo societário ou controle sobre a instituição financeira.

As investigações seguem em andamento e correm sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal apura se as operações investigadas envolveram outros agentes do mercado financeiro e se houve participação de pessoas do meio político.


Com informações da BBC News Brasil*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus