Salas sensoriais já são realidade no Amazonas e mudam o cuidado com crianças com TEA

Estruturas com tecnologia e atendimento humanizado funcionam na rede estadual de saúde e ampliam o suporte a crianças com Transtorno do Espectro Autista

As salas sensoriais voltadas ao atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) já fazem parte da rotina da rede estadual de saúde do Amazonas e vêm promovendo mudanças no cuidado oferecido às famílias. Os espaços funcionam nos Centros de Atenção Integral à Criança com TEA (Caics TEA) e utilizam recursos tecnológicos aliados a abordagens terapêuticas especializadas.

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por desafios na comunicação, na interação social e por padrões de comportamento repetitivos ou interesses restritos. Cada criança apresenta características próprias, o que exige intervenções individualizadas, acolhimento adequado e estímulos controlados ao longo do acompanhamento terapêutico.

Conhecidas como Salas Multisense, essas estruturas foram projetadas para estimular os sentidos de forma segura e planejada, respeitando as necessidades de cada criança.

“A Sala Multisense é um ambiente terapêutico especialmente desenvolvido para promover estímulos integrados, com segurança e acolhimento, considerando as singularidades de cada criança atendida”, explicou a secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud.

Os espaços contam com recursos como iluminação inteligente, sons, texturas, brinquedos sensoriais, fibras ópticas, colunas de bolhas e óculos de realidade virtual. O objetivo é auxiliar na regulação emocional, melhorar a concentração e favorecer o desenvolvimento das habilidades durante as terapias.

Além da estrutura física, os Caics TEA incorporaram tecnologias de acompanhamento clínico. Uma delas é o uso de impressoras 3D, que permitem a produção de brinquedos terapêuticos personalizados, reduzindo custos e adaptando os materiais às necessidades específicas de cada paciente. Outra inovação é um aplicativo, desenvolvido para acompanhar a evolução das crianças e apoiar o planejamento das equipes multiprofissionais. Segundo o analista de operações da Rede Teia Agir, Yarlei Nascimento, a proposta é integrar tecnologia, gestão e cuidado humanizado.

“Além dos recursos sensoriais, o uso da impressora 3D e do aplicativo fortalece o acompanhamento terapêutico e permite personalizar ainda mais o atendimento”, destacou.

Para o supervisor assistencial do Caic TEA Gilson Moreira, Carlos Costa, o impacto das salas é percebido no dia a dia dos atendimentos.

“O principal objetivo da sala é a regulação emocional. Os estímulos controlados ajudam no relaxamento, na concentração e favorecem o desenvolvimento das crianças durante as terapias”, explicou.

Em 2025, o atendimento especializado no estado foi ampliado com a inauguração de duas novas unidades: o Caic TEA José Contente, na zona leste de Manaus, e o Caic TEA Gilson Moreira, localizado na zona norte da capital. As unidades utilizam como base científica a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), abordagem reconhecida internacionalmente como uma das mais eficazes no tratamento do autismo.

A experiência implantada no Amazonas ganhou visibilidade ao ser apresentada durante a Expo Saúde Amazonas – Tecnologia, Gestão e Resultados, realizada no Centro de Convenções Vasco Vasques. O evento reuniu mais de 2 mil pessoas e destacou as Salas Multisense como uma política pública já em funcionamento na rede estadual, voltada ao fortalecimento do cuidado especializado às crianças com TEA.

 

Com Informações da Secretaria de Saúde do Amazonas

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus