Com 32 anos de atuação na Polícia Militar, o secretário reforçou que o enfrentamento ao narcoterrorismo segue como prioridade absoluta da gestão.
Combate ao narcoterrorismo e recorde de apreensões
Ao falar sobre as estratégias adotadas, o secretário destacou os números expressivos de apreensões de drogas no estado.
“Olha, vamos começar com a questão do combate ao narcoterrorismo. Então, ano passado, entre janeiro e fevereiro, nós havíamos retirado sete toneladas de drogas dos rios da cidade. E lembrando que em 2025 nós tivemos ali a maior apreensão da história. A gente vinha de 2024 com o recorde de 43 toneladas, fomos para 46 toneladas. Mas esse ano, de janeiro a fevereiro, nós já estamos ultrapassando 11 toneladas de drogas apreendidas. No ano passado, no mesmo período, eram 7 toneladas.”
Ele fez questão de explicar o impacto direto dessas apreensões na vida da população:
“Toda vez que a gente tira a droga de circulação, aí o cidadão se pergunta: o que isso muda na minha vida? Muda muita coisa. Porque se essa droga chega na cidade, ela vai ser distribuída. Sendo distribuída, vai gerar recurso. Com o recurso vai ter contratação de jovens para o tráfico, vai ter dinheiro para comprar armas, vai gerar mais violência na cidade. Então, no dia a dia do cidadão trabalhador, isso faz uma diferença muito grande. Quem perde, obviamente, é o narcoterrorismo.”
Operação Erga Omnes e autonomia das instituições
Durante a entrevista, o secretário também comentou os desdobramentos da Operação Erga Omnes, ressaltando que investigações seguem critérios técnicos e jurídicos rigorosos.
Segundo ele, nenhuma operação nasce de decisão isolada:
“Uma operação não é da cabeça do delegado, tem todo um arcabouço jurídico e, principalmente, existem instituições sérias envolvidas.”
Ele explicou que, após o início das investigações pela Polícia Civil, o material é encaminhado ao Ministério Público, que avalia a legalidade e, se for o caso, submete ao Judiciário para autorizações de busca, apreensão e prisões.
“A primeira, obviamente, é a nossa Polícia Civil. Depois nós temos o Ministério Público do Amazonas, que é uma instituição extremamente respeitada. E, por fim, claro, o nosso Tribunal de Justiça. Então, não é apenas a instituição Polícia Civil.”
Vinícius Almeida também foi enfático ao afirmar que a Secretaria de Segurança não interfere na autonomia das forças policiais:
“Quando está a Secretaria de Segurança, nós não temos qualquer tipo de interferência nas instituições, seja na Polícia Militar, no Bombeiros, na Polícia Civil. A nossa função é outra. É gerar políticas públicas, buscar recursos, comprar equipamentos, integrar as forças, mas de forma nenhuma interferir.”
Sobre eventuais desdobramentos políticos, ele foi direto:
“Se a investigação apontou para algum eixo que envolva políticos, problema de quem está envolvido. Para isso existe a Justiça. Vá lá, se defenda e prove que está errado.”
Direito de defesa e maturidade institucional
O secretário defendeu cautela diante das acusações e reforçou que todos os citados têm direito à ampla defesa.
“As pessoas que estão elencadas nessa investigação têm o direito de defesa. A gente não pode antecipar isso e transformar isso num ato já concluso.”
Ele também criticou ataques às instituições:
“Atacar uma instituição como a Polícia Civil, como o Ministério Público e como o Tribunal de Justiça, aí não é admissível.”
Questionado sobre a possibilidade de federalização do caso, respondeu:
“Não posso te afirmar agora. Isso é uma fase muito inicial desse processo, precisa de investigação e a gente não pode aqui fazer uma relação nesse sentido.”
Reestruturação da segurança e reforços para 2026
Ao fazer um panorama da gestão, Vinícius Almeida afirmou que o sistema de segurança foi herdado em situação crítica.
“Nós herdamos um sistema praticamente falido. Tinha mais de 10 anos sem concurso público, não tínhamos tecnologia, não tinha fuzil, não tinha lancha blindada.”
Ele destacou que o estado fechou o ano como o mais seguro do país para mulheres e anunciou que a Delegacia da Mulher da Zona Leste passará a funcionar 24 horas, classificando a medida como um “marco na defesa das mulheres”.
Sobre os índices de violência, ressaltou a queda histórica:
“Pela primeira vez nós reduzimos as taxas de homicídio no nosso estado aos menores números da história. Em Manaus especificamente, nós estamos com uma taxa de 16 mortes por 100 mil habitantes. A última vez que aconteceu algo próximo disso foi em 2001, quando esse número era 22 por 100 mil. Nós chegamos a ter 40, 45, 50 por 100 mil.”
Ele também citou a redução de roubos a ônibus e veículos, que antes eram recorrentes no noticiário.
Investimentos em efetivo e tecnologia
Entre os anúncios para 2026, o secretário destacou o reforço no efetivo da Polícia Militar:
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500 novos soldados serão apresentados à sociedade em março;
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100 oficiais formados, a primeira turma desde 2011;
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Outros 500 soldados já entram em formação, com previsão de mais 500 até o fim do ano.
Além do aumento no efetivo, ele ressaltou o uso de tecnologia, como o sistema de reconhecimento facial implantado em junho.
“Nós estamos prendendo de 7 a 10 pessoas por dia na cidade. Anteontem foi o último dado que eu recebi. Tiramos 7 bandidos de circulação. Um deles era homicida, ladrão e estuprador. Passou numa câmera nossa, detectou e foi preso.”
Ao final da entrevista, o secretário reafirmou que o foco da gestão é estrutural e de longo prazo, com integração das forças de segurança, investimentos contínuos e fortalecimento das instituições no enfrentamento ao crime organizado no Amazonas.
Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.






