Senegal conquista Copa Africana após pênalti polêmico e ameaça de abandono

A final da Copa Africana de Nações terminou com festa senegalesa, mas também com muita controvérsia. Em uma decisão marcada por tensão, protestos e intervenção do VAR, Senegal derrotou o Marrocos na prorrogação e conquistou seu segundo título continental, repetindo o feito alcançado em 2022.

O desfecho só veio no tempo extra. Após um empate sem gols no tempo regulamentar, Pape Gueye marcou logo aos três minutos da prorrogação, aproveitando chance dentro da área para balançar a rede e colocar Senegal em vantagem definitiva. O Marrocos ainda tentou reagir, criou oportunidades, mas não conseguiu alterar o placar.

Antes disso, a partida já havia sido interrompida por um episódio que quase levou ao abandono da final. Nos acréscimos do segundo tempo, o árbitro assinalou um pênalti a favor do Marrocos após consultar o VAR, entendendo que Malick Diouf cometeu falta sobre Brahim Díaz dentro da área. A marcação provocou revolta imediata no banco e entre os jogadores senegaleses.

Inconformado, o técnico Pape Thiaw ordenou que seus atletas deixassem o gramado. A seleção chegou a sair de campo, aumentando o clima de tensão no estádio. Pouco depois, no entanto, Sadio Mané interveio e convenceu os companheiros a retornar para a cobrança da penalidade.

Brahim Díaz, que sofreu a falta, foi para a cobrança e tentou uma “cavadinha”, mas o chute saiu fraco, facilitando a defesa do goleiro senegalês. Na sequência, o árbitro encerrou o tempo regulamentar, levando a decisão para a prorrogação.

A indignação de Senegal tinha um motivo adicional. Minutos antes do pênalti marcado para o Marrocos, a seleção senegalesa teve um gol anulado por uma falta de Seck em Hakimi dentro da área. A sequência de decisões contrárias inflamou ainda mais os ânimos dos jogadores.

Com o apito final da prorrogação, Senegal confirmou o bicampeonato da Copa Africana de Nações. O primeiro título havia sido conquistado em 2022, quando a equipe venceu o Egito nos pênaltis, por 4 a 2, após novo empate sem gols no tempo normal e no tempo extra, em Yaoundé, nos Camarões.

Apesar da conquista, o comportamento da equipe durante a confusão pode gerar consequências. De acordo com o jornal “As”, jogadores e membros da comissão técnica que deixaram o campo em protesto podem ser suspensos, o que colocaria em risco até mesmo a participação do país na próxima Copa do Mundo.

O episódio gerou forte reação da Fifa. Em um comunicado extenso, o presidente da entidade, Gianni Infantino, parabenizou Senegal pelo título e elogiou o Marrocos pela organização do torneio, mas fez duras críticas às cenas registradas durante a final. Veja o que disse Infantino abaixo:

“Parabéns ao Senegal por ter sido coroado campeão da África e vencedores da final da Copa Africana das Nações da CAF contra o 🇲🇦 Marrocos em Rabat. Os meus melhores votos para Abdoulaye Fall, Presidente da Associação Senegalesa de Futebol, e para todos os envolvidos neste sucesso. 🏆👏

Bom trabalho também para Marrocos num torneio fantástico, tanto como vice-campeões como anfitriões excepcionais. Meus sinceros agradecimentos a Sua Majestade Rei Mohammed VI pelo apoio constante ao futebol, e a Fouzi Lekjaa, Presidente da Real Federação Marroquina de Futebol e membro do Conselho da FIFA, pela sua liderança e compromisso com o jogo. ⚽👏

Infelizmente, também testemunhamos cenas inaceitáveis no campo e nas arquibancadas – condenamos veementemente o comportamento de alguns “torcedores”, bem como de alguns jogadores senegaleses e membros da comissão técnica. É inaceitável deixar o campo de jogo desta forma, e, igualmente, a violência não pode ser tolerada no nosso esporte, simplesmente não é correta.

Devemos sempre respeitar as decisões tomadas pelos árbitros dentro e fora do campo de jogo. As equipes devem competir em campo e dentro das Leis do Jogo, porque qualquer coisa menos coloca em risco a própria essência do futebol”.

 

 

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: SEBASTIEN BOZON / AFP