Uma tempestade de inverno de grandes proporções segue afetando os Estados Unidos e já deixou ao menos 12 mortos, segundo dados divulgados por autoridades e compilados pela imprensa norte-americana. Mais de 250 milhões de pessoas estão sob algum tipo de alerta ou aviso de frio extremo, de acordo com a equipe meteorológica da CNN.
Nesta segunda-feira (26), 43 estados registravam avisos, alertas ou advertências meteorológicas. O avanço de uma massa de ar ártico mantém os efeitos da tempestade mesmo após a passagem do sistema principal, com previsão de temperaturas mínimas próximas de -7°C em várias regiões.
Mais de 800 mil pessoas continuam sem energia elétrica. O frio intenso e o solo congelado dificultam o trabalho das equipes de manutenção, já que o gelo acumulado e as baixas temperaturas atrasam o restabelecimento do fornecimento.
O impacto no transporte aéreo também é amplo. O domingo (25) foi o dia com maior número de cancelamentos de voos desde 2020, com mais de 19 mil voos suspensos durante a tempestade. Somente no fim de semana, mais de 10 mil voos foram cancelados.
Em ao menos 17 estados, o acúmulo de neve ultrapassou 30 centímetros. Em alguns pontos, a marca chegou a cerca de 79 centímetros. O frio intenso mantém estradas bloqueadas e dificulta o deslocamento de equipes de emergência. Escolas em grandes cidades suspenderam aulas presenciais ou adotaram o ensino remoto.
Segundo a agência Associated Press, no sábado (24), o Meio-Oeste registrou sensação térmica próxima de -40°C. A cidade de Rhinelander, no estado de Wisconsin, marcou -38°C, a menor temperatura em quase 30 anos. O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) alertou para risco de “acúmulo catastrófico de gelo”, com possibilidade de “apagões prolongados, danos extensos às árvores e condições de viagem extremamente perigosas ou intransitáveis”.
O meteorologista Ryan Maue afirmou que “os próximos dez dias de inverno serão os piores em 40 anos nos Estados Unidos” e alertou para a necessidade de preparação. “Pensem para onde podem ir, o que podem fazer e quem precisa de ainda mais ajuda para sobreviver à próxima semana. Não é exagero nem brincadeira”, disse, ao citar temperaturas abaixo de -18°C.
Diante do avanço da onda de frio, vários estados decretaram estado de emergência. No Texas, autoridades relembraram a tempestade de fevereiro de 2021, que resultou em mais de 200 mortes. O governador Greg Abbott afirmou que “não há nenhuma expectativa de que ocorra um corte de energia na rede elétrica” e que o sistema está preparado para enfrentar a atual tempestade.
Em Houston, a prefeitura abriu 12 abrigos para receber a população. O prefeito John Whitmire disse que “haverá uma tempestade muito severa que poucos moradores em Houston já vivenciaram” e que os espaços estão disponíveis para pessoas e animais de estimação. “Todos são bem-vindos em nossos abrigos, não perguntamos o status legal, isso não faz parte do nosso trabalho, somos compassivos”, declarou.
No estado de Nova York, a governadora Kathy Hochul alertou que até deslocamentos curtos ao ar livre podem ser perigosos. Ela informou que o estado mobilizou milhares de trabalhadores, máquinas de remoção de neve e equipes de emergência para manter estradas abertas, restaurar a energia e atender pessoas em situação de risco.
Especialistas afirmam que o episódio está ligado ao deslocamento do vórtice polar, normalmente concentrado no Polo Norte, para latitudes mais ao sul. Pesquisadores apontam que eventos desse tipo têm se tornado mais frequentes nas últimas duas décadas.
O fenômeno também pode estar relacionado ao aquecimento do Ártico em um ritmo superior à média global. Esse aquecimento desigual, segundo alguns cientistas, favorece o avanço do vórtice polar sobre áreas da América do Norte. Especialistas, no entanto, ressaltam que não é possível estabelecer uma relação direta e automática entre esses episódios e a mudança climática de origem humana.
Como informações do G1 e CNN*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






