O avanço da militarização e o desgaste nas relações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificaram divisões políticas e estratégicas na Europa. Líderes do continente discutem se as alianças históricas com Washington continuam suficientes diante do atual cenário internacional.
Em Munique, na Alemanha, a presença de anúncios ligados à indústria de defesa simboliza a mudança de postura do país diante de um ambiente geopolítico mais instável. A região da Baviera tornou-se um polo de tecnologia militar, com foco em inteligência artificial, drones e setor aeroespacial.
Pesquisa recente do Eurobarometer aponta que 68% dos europeus consideram que seus países estão sob ameaça. No segundo semestre, o Escritório Federal de Proteção Civil da Alemanha alertou que um conflito já não pode ser considerado improvável, recomendando que a população mantenha estoques básicos de alimentos como precaução.
A Alemanha tornou-se o principal doador individual de ajuda militar à Ucrânia, especialmente após a suspensão de novos pacotes diretos dos EUA. Segundo o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, o país deverá investir cerca de 150 bilhões de euros em defesa até 2029.
O tema dominou debates na Conferência de Segurança de Munique, principal fórum global sobre defesa e segurança. O discurso do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi acompanhado com expectativa por líderes europeus.
As tensões aumentaram após declarações de Trump sobre gastos militares na Europa e sua postura em relação à Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que o tema segue sensível, apesar de negociações diplomáticas em andamento.
Analistas avaliam que a Europa discute agora a possibilidade de ampliar cooperações com países como Austrália, Japão e Coreia do Sul, além das estruturas já consolidadas na Otan e na União Europeia. O debate envolve não apenas defesa, mas também autonomia estratégica e estabilidade econômica.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, declarou que o país precisa assumir maior responsabilidade por sua própria segurança, reconhecendo mudanças na dinâmica transatlântica.
Apesar das divergências recentes, autoridades americanas reafirmaram, durante o encontro em Munique, a importância histórica da parceria entre Europa e Estados Unidos.
Com informações da Assessoria.
Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.





