Toffoli confirma participação em empresa ligada a resort e nega conflito em caso do Banco Master

Ministro do STF afirma que declarou valores à Receita, recebeu apenas dividendos e diz que operações ocorreram a preço de mercado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli confirmou, em nota, que é sócio da empresa Maridt, que manteve participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, e realizou negócios com um fundo administrado por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo Toffoli, todos os valores recebidos foram declarados à Receita Federal e ele nunca recebeu recursos de Vorcaro ou de Zettel. O ministro afirmou ainda que as operações ocorreram dentro do valor de mercado.

A Maridt integrou a administração do resort até fevereiro de 2025. Toffoli é o relator no STF da investigação sobre supostas fraudes na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A Polícia Federal encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, material obtido no celular de Vorcaro, com menções ao ministro.

Diante do conteúdo, Fachin enviou o relatório a Toffoli para que ele avalie a possibilidade de se declarar impedido. Na nota, o ministro não menciona eventual suspeição e afirma que assumiu a relatoria quando a Maridt já não fazia mais parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro.

Toffoli não informou os valores recebidos nas negociações, mas declarou que todas as transações seguiram parâmetros de mercado.

De acordo com o ministro, a Maridt é uma empresa familiar constituída como sociedade anônima de capital fechado e administrada por parentes. Ele integra o quadro societário, mas afirma não ter exercido funções de gestão, tendo recebido apenas dividendos, o que é permitido pela Lei Orgânica da Magistratura.

“A lei autoriza o magistrado a integrar o quadro societário de empresas e a receber dividendos, sendo vedada apenas a prática de atos de gestão”, informou o ministro.

A empresa detinha parte das ações do resort Tayayá, frequentado por Toffoli e por pessoas próximas. À época da aquisição, os irmãos do ministro, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, atuavam como executivos da Maridt.

A saída da empresa do grupo ocorreu em duas etapas. Em 27 de setembro de 2021, parte das cotas foi vendida ao Fundo Arllen, administrado pela Reag, ligada a Zettel. Em 21 de fevereiro de 2025, o saldo remanescente foi alienado à PHD Holding.

Em 2021, o Fundo Arllen comprou metade da participação no resort por R$ 3,2 milhões, adquirindo fatias da Maridt e de outros sócios. A Reag também é alvo das investigações relacionadas ao Banco Master.

Na íntegra da nota, Toffoli afirmou que todas as declarações fiscais da empresa e dos acionistas foram aprovadas pela Receita Federal e que não mantém relação de amizade com Daniel Vorcaro.

O ministro informou ainda que o processo envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB foi distribuído ao seu gabinete em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava o grupo responsável pelo resort.

A Polícia Federal informou que o relatório encaminhado a Fachin reúne dados extraídos do celular de Vorcaro, cujo conteúdo permanece sob sigilo. A existência de menções a Toffoli foi divulgada inicialmente pelo UOL e confirmada por O GLOBO.

Na última quarta-feira, o gabinete do ministro afirmou ter recebido um pedido de declaração de suspeição elaborado pela PF, mas classificou o documento como baseado em “ilações”. Segundo a nota, a instituição não tem legitimidade para solicitar o afastamento, por não ser parte no processo.

A defesa de Daniel Vorcaro declarou preocupação com o vazamento de informações e afirmou que a apuração deve respeitar o contraditório e o devido processo legal.

O caso chegou ao STF após a defesa de Vorcaro alegar que a investigação citava um deputado federal, o que justificaria a tramitação na Corte. Por sorteio, Toffoli foi designado relator e determinou a centralização dos inquéritos relacionados ao banco.

Parlamentares da oposição questionaram a imparcialidade do ministro, mas a Procuradoria-Geral da República rejeitou pedido de afastamento. Reportagens também apontaram viagens de Toffoli ao exterior com advogados ligados a investigados e a venda da participação da Maridt a fundo administrado por Zettel.

Levantamento do jornal O GLOBO mostrou ainda que seguranças do STF permaneceram por 128 dias na região do resort, ao custo de R$ 460 mil em diárias.

Em entrevista, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a investigação sobre as transações entre o Master e o BRB deve ser concluída até 16 de março.

Segundo ele, o relatório final reunirá todos os achados, sem descartar hipóteses paralelas. “Estamos caminhando para a conclusão do inquérito e dando encaminhamento a todos os elementos apurados”, disse.


Com informações do O Globo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus