Os trens de passageiros da Estrada de Ferro Carajás, que ligam os estados do Maranhão e do Pará, terão internet a bordo a partir de julho. A conexão será disponibilizada ao longo de todo o trajeto da ferrovia, em um modelo semelhante ao utilizado na aviação comercial, com acesso básico gratuito e possibilidade de contratação de pacotes adicionais.
O anúncio foi feito pela Vale, empresa responsável pela operação da ferrovia, durante as ações que marcam os 40 anos do transporte de passageiros na linha ferroviária.
O serviço deverá permitir navegação na internet e envio de mensagens por meio de conexão 4G ao longo de todo o percurso, que tem aproximadamente 900 quilômetros entre as cidades de São Luís e Parauapebas. Passageiros que desejarem poderão adquirir pacotes com acesso ampliado, incluindo serviços de streaming e outras plataformas digitais.
Projeto incluiu instalação de torres ao longo da ferrovia
Para garantir a cobertura de internet no trajeto ferroviário, a Vale investiu cerca de R$ 250 milhões na implantação de infraestrutura de telecomunicações ao longo da ferrovia.
O projeto resultou na instalação de 49 torres de conectividade distribuídas ao longo da linha férrea. Quando a iniciativa começou, apenas 14% do trecho possuía algum tipo de cobertura de comunicação.
A Estrada de Ferro Carajás atravessa 27 municípios nos dois estados — 23 no Maranhão e quatro no Pará — e a abertura do sinal das torres também deverá beneficiar áreas próximas à ferrovia. Segundo a empresa, moradores da zona rural e equipamentos públicos localizados nas proximidades da linha férrea, como escolas e unidades de saúde, poderão utilizar a cobertura de sinal.
Viagem entre Maranhão e Pará dura cerca de 16 horas
A viagem completa entre São Luís e Parauapebas dura aproximadamente 16 horas. Durante boa parte do trajeto, a conexão à internet ainda é limitada ou inexistente.
Atualmente, a operadora utiliza conexão via Starlink, da empresa do empresário Elon Musk, para operações internas do trem, como o processamento de pagamentos realizados no vagão restaurante.
Hoje, o acesso à internet ao longo do percurso ocorre principalmente nas áreas próximas a centros urbanos da rota, como Santa Inês, Açailândia, Marabá e Parauapebas.
No total, o trem possui 15 pontos de parada distribuídos entre os estados do Maranhão e do Pará.
Ferrovia transporta mais de 400 mil passageiros por ano
A Estrada de Ferro Carajás registrou em 2025 o transporte de 419 mil passageiros. O maior volume foi registrado no ano anterior, quando 423 mil pessoas utilizaram o serviço ferroviário.
Em períodos de maior demanda, cada viagem pode transportar até 2 mil passageiros, quantidade equivalente a cerca de 44 ônibus.
Além do transporte de passageiros, a ferrovia é considerada um dos principais corredores logísticos para cargas nas regiões Norte e Nordeste do país. O principal produto transportado é o minério de ferro, mas nos últimos anos houve crescimento no volume de grãos e combustíveis movimentados pela linha.
Operação de passageiros passará a ser diária em 2026
Atualmente, o trem de passageiros da Estrada de Ferro Carajás realiza três viagens semanais em cada sentido da rota.
As partidas de São Luís ocorrem às segundas, quintas e sábados, enquanto os trens saem de Parauapebas às terças, sextas e domingos. Às quartas-feiras, o serviço é suspenso para manutenção da ferrovia.
A Vale informou que, a partir de 2026, as viagens passarão a ocorrer diariamente entre as duas cidades. A ampliação faz parte do acordo de renovação antecipada das concessões ferroviárias firmado entre a empresa e o governo federal em 2020.
Transporte ferroviário interestadual é raro no Brasil
O trem de passageiros da Estrada de Ferro Carajás está entre os poucos serviços regulares de transporte ferroviário interestadual no país.
Além dele, apenas o serviço da Estrada de Ferro Vitória a Minas mantém transporte contínuo de passageiros. A linha, também operada pela Vale, liga Cariacica a Belo Horizonte.
Neste ano, a ferrovia Vitória a Minas passou a operar um trem noturno durante o período de férias escolares, serviço considerado o primeiro do tipo no país em cerca de três décadas.
Com informações da Folha de São Paulo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






