Trump autoriza envio de paraquedistas ao Golfo Pérsico

EUA reforçam presença militar em meio à guerra com o Irã e impasse sobre Estreito de Ormuz
Foto: Daniel Torok

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou o envio de uma brigada de assalto aéreo ao Golfo Pérsico em meio à escalada da guerra contra o Irã. A decisão foi confirmada pela NBC News, com base em fontes do Pentágono.

A unidade destacada é a 82ª Brigada, com cerca de 3 mil militares. Parte do contingente, estimada em mil soldados, será enviada à região. A força é treinada para operações de resposta rápida e pode atuar em até 24 horas, com foco na ocupação de áreas estratégicas, como pistas de pouso.

A brigada foi criada no século passado e participou de conflitos como a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra do Iraque e a Guerra do Afeganistão. Também atuou na retirada de civis após a tomada de Cabul pelo Talibã, em 2021.

Desde o início do conflito atual, os Estados Unidos ampliaram a presença militar no Golfo. Na semana passada, o Grupo Anfíbio de Prontidão Boxer e a 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais foram deslocados para o Oriente Médio, com cerca de 2,5 mil militares. Pelo menos três navios de guerra também foram enviados.

O reforço ocorre em meio à intensificação dos confrontos. Ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel não resultaram na queda do governo iraniano. Ao mesmo tempo, o Irã mantém ofensivas contra alvos no Golfo e em território israelense.

O bloqueio do Estreito de Ormuz reduziu em cerca de 95% o tráfego de navios. A passagem é responsável por aproximadamente 20% do fluxo global de petróleo e gás. A estratégia envolve uso de minas, embarcações leves, drones e foguetes pela Guarda Revolucionária Islâmica.

O governo dos Estados Unidos avalia alternativas para reabrir a rota marítima, incluindo ações contra a Ilha de Kharg, principal ponto de exportação de petróleo do Irã. A possibilidade de bloqueio ou invasão é analisada, segundo o site Axios.

Nos últimos dias, forças americanas realizaram ataques a posições militares iranianas próximas ao estreito, sem atingir estruturas petrolíferas. O governo iraniano afirma que responderá com ataques a refinarias e instalações energéticas no Golfo caso a ilha seja atingida.

Integrantes do governo norte-americano indicam que a decisão sobre novas ações ainda não foi tomada.

“Ele quer o Estreito de Ormuz aberto. Se precisar tomar a Ilha de Kharg para isso, ele tomará. Se decidir fazer uma invasão costeira, ele também tomará. Mas essa decisão ainda não foi tomada”, disse um integrante do governo dos EUA.

“Sempre tivemos tropas no terreno em conflitos sob todos os presidentes, incluindo Trump. Sei que isso é uma obsessão da mídia, e entendo a política envolvida, mas o presidente fará o que for certo”, acrescentou a mesma fonte.

Apesar da escalada militar, Estados Unidos e Irã mantêm contatos indiretos por meio de intermediários. O avanço das negociações é limitado pela desconfiança entre as partes.

Em 2018, o governo Trump deixou o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano e ampliou sanções. Em episódios recentes, negociações foram seguidas por ataques militares.

Diplomatas iranianos avaliam que declarações sobre diálogo têm relação com o impacto do conflito no mercado de energia. Após o adiamento de um ultimato para ataques, o preço do petróleo recuou, após ter se aproximado de US$ 120 por barril na semana anterior.

Há ainda tensão sobre a possível participação de Mohammad Bagher Ghalibaf em negociações. Autoridades iranianas consideram o movimento arriscado.


Com informações do G1*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus