Trump diz que EUA devem “administrar” a Venezuela e explorar petróleo do país por anos

Sugestão de subtítulo baseado nesse trecho: Decisão inclui saída de dezenas de entidades da ONU e reforça política de cooperação seletiva dos EUA
Foto: Official White House Photo by Daniel Torok

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo deve seguir “administrando” a Venezuela e explorando as reservas de petróleo do país “por muitos anos”. A declaração foi dada em entrevista ao jornal The New York Times, publicada nesta quinta-feira (8).

Segundo Trump, o governo interino venezuelano, liderado pela vice-presidente Delcy Rodríguez, “está nos dando tudo o que consideramos necessário por enquanto”. Questionado sobre por quanto tempo a ingerência de Washington deve durar, o presidente respondeu: “Só o tempo vai dizer”.

Na entrevista, Trump disse que os Estados Unidos pretendem usar o petróleo venezuelano como parte da estratégia para reduzir preços e financiar a reconstrução do país. “Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, afirmou.

O presidente norte-americano foi perguntado sobre o motivo de ter apoiado Delcy Rodríguez como presidente interina, em vez de incentivar a oposição a assumir o poder, mas preferiu não responder.

Saída de organizações internacionais

Na quarta-feira (7/1), Trump assinou uma proclamação que retira os Estados Unidos de 35 organizações fora do sistema da ONU e de 31 entidades ligadas às Nações Unidas. Segundo a Casa Branca, os organismos “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”.

Entre os alvos estão agências e painéis ligados a temas climáticos, trabalhistas e a iniciativas classificadas pelo governo como relacionadas à agenda “woke”. Estão na lista, entre outros, a ONU Mulheres, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O governo Trump já havia suspendido o apoio a organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a UNRWA, o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO. A atual política prevê uma escolha seletiva sobre quais agências e operações receberão contribuições financeiras dos Estados Unidos.

Para o analista Daniel Forti, do International Crisis Group, “acho que o que estamos vendo é a cristalização da abordagem dos EUA ao multilateralismo, que é ‘ou do meu jeito ou nada feito’. É uma visão muito clara de querer cooperação internacional nos termos de Washington”.

A mudança de postura, segundo o jornal, tem levado a ONU a promover cortes internos e também afetou organizações não governamentais que mantinham projetos financiados com recursos americanos. Muitas dessas iniciativas foram encerradas após o governo Trump ter reduzido a ajuda externa e encerrado as atividades da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).


Com informações do G1*

Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus